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Weslei Felix Ajarda conta experiência de estudar música em Genebra

Apreciamos boas histórias e as disseminamos, principalmente as de profundo engajamento no universo da arte e da cultura.

A história de Weslei Felix Ajarda nos encantou, provocou reflexões importantíssimas do quanto as pessoas se mobilizaram para que ele fosse um dos representantes do Brasil em Genebra para estudar música clássica, assim como sua busca, maturidade mesmo com pouca idade e sua profundidade musical. Sem dúvida, uma fonte de inspiração.

Confira a entrevista que transcrevemos, concedida por ele à Rádio Gaúcha. Temos certeza de que vai ser um conteúdo importante para você, assim como foi para toda nossa equipe.

Rádio Gaúcha: E agora com dezenove anos, Weslei está em férias aqui em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, depois do 1° ano de aulas na Escola Superior de Música de Genebra (Curso de Bacharelado em Contrabaixo Acústico). A ida pra lá foi acompanhada por muita gente, que inclusive ajudou ele, teve uma vaquinha on-line. Weslei, bem-vindo ao nosso estúdio e nos conte, por favor, como foi esse teu primeiro ano na Europa estudando música. Boa tarde!

Weslei: Boa tarde! Foi incrível, assim, a experiência de não estar no país, de estar em uma cultura diferente, língua diferente, pessoas diferentes, traz novos ares para a vida. Foi uma experiência muito legal, primeiro com o professor que eu conheci no Brasil, Alberto Bocini. Foi demais poder ter aulas de música com ele, não só no Festival, pouco tempinho ali, mas sim durante um período todo, dois semestres. Foi incrível também conhecer pessoas novas, professores de outras disciplinas da música e, é claro, o país. A Suíça é incrível, não tinha como ser ruim (risos).

The münster cathedral de Basel, Suíça. Basileia (Créditos da imagem: Acervo pessoal de Weslei)

Rádio Gaúcha: Não tinha mesmo! (risos). É impressão ou ele está com pouco sotaque? A Greyce Vargas, nossa colega, que acompanha ele desde 2013, quando ele era pequeno né, Greyce? Mas até para o nosso ouvinte, pra quem não acompanhou a história do Weslei, acho que se as pessoas virem a imagem dele tocando, vão lembrar. Mas, de onde surgiu, Weslei? Como é que foi esse envolvimento com a música? E se tu te dá conta do salto, do tamanho da tua conquista!

Weslei: Sim. Na realidade, assim, o envolvimento com o meio musical surgiu muito cedo na minha vida. Minha família não era ligada à música, ninguém era músico de fato, mas, tinha um pagode em casa no domingo em família, e o que sobrava no intervalo, eu ia lá e fazia uma batucada e alguma coisa assim. E também minha mãe me levava à igreja, desde muito cedo. Então, eu tinha lá o meu violãozinho de plástico, meu cavaquinho. Sentava no primeiro banco, tentando imitar o que os músicos da igreja faziam. Com três ou quatro anos de idade, já comecei a ter uma noção do que eu queria. Não de fato o que eu queria. Levava na brincadeira, mas eu não sabia que poderia me tornar séria, só fui perceber isso depois dos sete ou oito anos de idade, quando comecei a fazer parte da banda da igreja. Aí, foi quando percebi: É isso que eu quero! E segui em frente.

Rádio Gaúcha: E a música clássica surgiu a partir de uma notícia do Diário Gaúcho?

Weslei: É, surgiu a notícia, não a música porque eu não sabia que era música clássica (risos). Fui achando que era contrabaixo elétrico, porque eu tocava na igreja o contrabaixo elétrico e fiz a inscrição achando que era. Quando chegou no primeiro dia de aula, foi onde vi que não era o que eu achava. Mas, sempre gostei de desafios, tanto que passei por vários instrumentos nesse período, toquei bateria, violão. Então, aquele foi um desafio pra mim que eu segui. Hoje, vejo os frutos disso na minha vida, que valeu a pena, mesmo não sendo o que achava que era no início, mas o quanto mudou a minha vida de fato.

Rádio Gaúcha: O quanto mudou?

Weslei: Mudou tudo, as relações, os meios onde eu vivia… Não que eu… Não esqueci…

Rádio Gaúcha: Tu vivia em Canoas, no Guajuviras.

Weslei: E agora eu consigo ver o mundo, assim… Não só a minha cidade ou a região metropolitana. A música me proporcionou muitas coisas, amizades, lugares, concertos, me proporcionou viajar, estudar fora, então, acho que mudou tudo.

Rádio Gaúcha: Weslei, eu tenho a oportunidade, assim, também vim do Guajuviras. O mundo que tu viu no Guajuviras e o primeiro dia que tu chegou em Genebra, estava me contando que tomou um baque lá, assim, quando chegou na escola…

Weslei: É sim, tomei um baque em todos os aspectos, né? Em língua, cultura, nível de música. Primeiro porque eu cheguei lá com uma base de francês, mas, mesmo assim, com dificuldades de entender porque falavam muito rápido, era sotaque, eram gírias, era tudo… Então, eu tive uma dificuldade nessa primeira parte. Na música, não tive dificuldade porque eu já sabia o que me esperava, sempre fui alertado pelo meu professor Éder Kinappe, agradeço a ele todos os dias porque ele me deixou claro o que iria passar lá. As coisas não são tão fáceis, o nível que tu vai chegar lá, não tem ninguém que não vai estar num nível bom também, então, acaba me fazendo crescer porque aprendo com os estudantes, não tem só o professor, tem toda uma classe que eu aprendo observando o que eles fazem, me ajuda a crescer. E as outras dificuldades, inúmeras, de estar sozinho também.

Rádio Gaúcha: Tu foi sozinho? Não tem outros brasileiros lá?

Weslei: Tem, mas não o afeto da família.

Rádio Gaúcha: E qual é a coisa mais diferente, como a Greyce perguntou, do contraste do Guajuviras com a cidade onde tu vive, em Genebra, na Suíça? O que notou de mais diferente, a forma de ti relacionar com os colegas, a aprendizagem, a educação… O que de mais diferente?

Weslei: Eu acho que o mais diferente é a educação deles, o modo que eles levam a vida, de seriedade, né? Eu costumo dizer que eles são profissionais desde que nascem porque eles têm um jeito diferente de olhar as coisas, são calculistas no que fazem, não têm um jeitinho brasileiro de resolver a situação.

Rádio Gaúcha: Aquela malandragem…

Weslei: É, não tem isso. E, de fato, lá não funciona e creio que nunca vai funcionar porque são corretos no que fazem. Acho que essa cultura deles, esse modo de viver a vida é inspirador. Então, o que vi de mais diferente, é claro que tem, totalmente. O Brasil é um país muito novo. A infraestrutura lá é muito melhor em vários aspectos. Tem vários contrastes, mas o que eu acho que isso é o mais gritante.

Rádio Gaúcha: A vaquinha on-line te bancou no primeiro ano?

Weslei: Não, assim… Eu tinha a promessa de uma bolsa de estudos lá, só que eu não ganhei a bolsa de estudos. Quando cheguei, mudou o sistema.

Rádio Gaúcha: A escola é particular?

Weslei: Lá não tem faculdade pública, tem bolsas de estudos. Então, o que aconteceu é que eu fui com a promessa de uma bolsa, só que não ganhei porque mudou o sistema e passou a ser só do segundo ano em diante. Aí, tudo isso fez… Esses seis meses de dinheiro que tive de vaquinha, tive que fazer virar o dobro, dois semestres.

Rádio Gaúcha: Porque a partir do segundo ano tem a bolsa…

Weslei: Isso. Eu tive que fazer o dinheiro virar em dois.

Rádio Gaúcha: E é um país caro pra se viver?

Weslei: Genebra está entre as três cidades mais caras no ranking do mundo.

Rádio Gaúcha: O que estamos recebendo de mensagem aqui, do Felipe, do Cardoso, é que tu é muito Colorado, inclusive que é cônsul cultural e há fotos suas com o Zé Alberto Andrade lá no Beira-Rio, com o teu instrumento. Inclusive que tu é amigo do Jamil Chade, repórter do Estadão, que veio aqui nos visitar.

Weslei: Encontrei com ele em Genebra, ele é correspondente do Estado de SP, lá na Europa…

Rádio Gaúcha: E muito Colorado!

Weslei: Eu não sei dizer ao certo se ele é Colorado, de fato. Mas eu sou!

Rádio Gaúcha: Não, eu estou falando de você. Do Jamil já não sei. Tu é muito Colorado. Vai ficar até quando? Tu vai ao Beira-Rio na segunda!

Créditos da imagem: Sport Club Internacional

Weslei: Eu pretendo, não sei se vou conseguir.

Rádio Gaúcha: Para, nós vamos acionar o Cardoso, pelo amor de Deus, um cônsul cultural desse tem que estar no Beira-Rio! E daí tu volta para mais dois anos de escola lá… E quais são os seus planos depois que concluir o curso?

Weslei: Os planos são muitos, as coisas na minha vida costumam acontecer muito naturalmente. Antes de ir pra Genebra, tinha um plano de entrar na UFRGS, não aconteceu, tinha um plano melhor pra mim, que eu achava que não era possível. Então, através disso percebi que as coisas acontecem naturalmente, assim, planos eu tenho, mas pode acontecer diferente. Tenho plano de continuar, tem muita coisa pra mim em Genebra. Depois desses dois anos, pretendo… O professor que eu tenho é magnífico, Alberto Bocini é muito inspirador pra mim, então, ainda pretendo continuar, conseguir fazer um mestrado com ele, dar continuidade já que estou numa estabilidade lá, né? Mas os planos talvez possam ser melhores. Não sei se é possível! Se é possível ser melhor porque ele é muito requisitado, um dos melhores e, pra mim, um dos melhores professores do mundo, de contrabaixo, então…

Rádio Gaúcha: O Weslei é um sucesso. O Neto Fagundes mandou aqui que já fez show contigo, está mandando um abraço.

Weslei: Sim, sim!

Rádio Gaúcha: E o Cardoso que aqui coordena o projeto de cônsules culturais do Inter já disse que está convidadíssimo pra assistir o jogo lá no Beira-Rio, já está tudo armado, tudo esquematizado!

Weslei: Olha, então, estarei lá! Sobre o Neto, foi incrível porque a gente fez a apresentação A uma Ajarda de Genebra, no Theatro de São Pedro, pra arrecadar custos para a minha viagem. Então, foi demais, agradeço demais o Neto Fagundes. Também teve o Hique Gomes que eu tive o prazer de tocar com ele no sábado, na OSPA. Então, tenho que agradecer muito ao Neto e ao Hique porque eles fizeram esse espetáculo acontecer.

Rádio Gaúcha: Weslei, muito obrigado por vir ao estúdio, sucesso! Nas tuas próximas férias, volte aqui, tá? Pra contar as novidades da Suíça! Vai ser pé quente para o nosso Inter! Parabéns, que linda história! E a Greyce está preparando material para o próximo sábado aqui na Gaúcha, e o Weslei vai contar a participação de um gremista importante na vida dele!

Weslei: Sim (risos). Eu que agradeço.

Fonte: Rádio Gaúcha de Porto Alegre/ RS

Créditos da imagem: Acervo pessoal de Weslei

Ouça a conversa com Weslei Felix Ajarda e Ana Laura Freitas na Rádio da Universidade (UFRGS). De férias no Brasil, ele se apresenta no projeto Quintas Musaicas, da Nova Acrópole. Vamos preparar nossos ouvidos para o recital conversando com Weslei e escutando um pouquinho de um ensaio!

Fonte: NOTA MUSICAL

Créditos imagem de destaque: @brunoalencastro

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