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A trajetória da maestrina Vânia Pajares

Por Vânia Pajares

Meu nome é Vânia Sanches Pajares, brasileira e neta de espanhóis.

Nasci em Gastão Vidigal, noroeste paulista, quando o município tinha cerca de mil habitantes, no ano de 1968. Segundo minha mãezinha Izabel, eu quando muito pequena ficava no quintal da nossa casa, que tinha chão de terra batida, cantando com os passarinhos. Sempre quis fazer música. Estava gravado em meu coração esse caminho que trilho desde então.

Sempre acreditei no Ser Humano, muito mais do que nas Instituições. Apesar da minha origem humilde e apesar de todos que me diziam que eu nunca iria conseguir realizar meus sonhos de ser uma profissional da Música, acreditava que com perseverança, seriedade, dedicação e estudo constante, conquistaria meus ideais e obteria as realizações almejadas.

Comecei aprendendo Piano com minha prima em minha cidadezinha e passei, então, ao Conservatório Musical de Monte Aprazível, onde cursei Piano e Violão Clássico.

Sempre amei Música de qualquer estilo! Junto com a música erudita tocava guitarra e cantava Rock’n’roll, música Pop e MPB nos anos 1980.

Em 1986, entrei na UNICAMP para cursar Regência e Piano. Também lá fiz meu Mestrado em Artes. Em 1993, entrei para o Teatro Municipal de São Paulo, onde fiquei por quase catorze anos, atuando como pianista e regente assistente. Durante esse período, nunca parei de lecionar e de cantar, inclusive como professora da universidade onde me formei: lecionei mais de dez anos no Departamento de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas, a partir de 2000.

A fase como Regente de Teatro Musical começou em 2006. Estava tocando óperas no Municipal e cantando como protagonista da ópera Carmen em outros teatros, quando recebi um convite para reger My Fair Lady em 2007, já que o produtor queria uma mulher regendo por se tratar de um tema feminista. E, desde então, não parei mais.

Foram dez superproduções de teatro musical em dez anos: My Fair Lady, West Side Story, O Rei e Eu, Evita, A Família Addams, O Rei Leão, Jesus Cristo Superstar, Mudança de Hábito, WICKED e Tudo é Jazz. Neste ano de 2018, sou a Diretora Musical e Regente da superprodução A Pequena Sereia, da Disney, em parceria com a IMM no Brasil.

Amo trabalhar com pessoas, amo dar aulas e amo reger! No Teatro Musical posso expressar todas as minhas facetas musicais por se tratar de uma forma eclética de artes cênicas. É um prazer reger um musical: estou imersa na cena e na música! Sempre falo que o melhor lugar do teatro é o meu, onde vejo cada detalhe da cena e ouço cada nuance da música. E onde estou plenamente conectada com essa cena e essa música. É indescritível!

Desafios em ser maestrina. Infelizmente o preconceito ainda é forte por ser uma mulher no pódio do regente. Mulheres no poder: ainda um tabu… Tenho que ser cem vezes mais durona do que um homem para impor respeito. Como sempre gostei de desafios, coisas fáceis não me seduzem, tenho me saído bem.

Competência, talento e profissionalismo independem de gênero. Provo isso na prática cada vez que rejo um show. Espero contribuir com isso para abrir caminho para as jovens maestrinas que estão iniciando carreira. Somos guerreiras e nossa espada é a batuta. E continuo regendo muito bem produzida, de vestido longo, cabelo arrumado e maquiagem bem feita, pois é assim que me sinto bem para me apresentar ao público e inspirar o elenco e a orquestra do show.

A responsabilidade da liderança é imensa! Sempre procuro fazer o meu melhor dentro das minhas limitações, da minha humanidade… Tomar as melhores decisões para cada indivíduo e para o todo que é o show. Quando erro peço perdão e não cometo mais o mesmo erro. Essa é uma maneira de me aproximar do grupo, pois essa é a realidade: somos todos falíveis. E o respeito aumenta quando temos essa atitude.

Sempre antes de um show faço uma oração curta e ecumênica com meus músicos, invocando boas vibrações e mentalizando que possamos fazer o melhor show que já fizemos, em que possamos nos transformar e transformar o público para melhor. Acredito que essa é nossa função: “religare”, religião, conexão, sintonia, transformação através da arte.

Uma das muitas estórias emocionantes colhidas no meu pódio foi que ao final de um show, uma senhora muito bonita, negra e com olhos brilhantes me abordou após o último acorde da Exit Music, dizendo:

– Você me criou um problema… Essa foi a coisa mais linda que eu já assisti… Eu nunca mais vou conseguir viver sem isso!

Eu, emocionada e segurando as lágrimas, respondi:

– Que bom ouvir isso! Sinal que nós todos cumprimos nossa missão. Qual é seu nome?

– Diva.

E eu: claro! Só podia ser a percepção e o comentário de uma Diva!

Divas não estão só no palco. Muitas vezes estão na plateia, na rua, na vida.

Sou abençoada por realizar meus sonhos de menina de interior, caipira com muito “orguio”!

Foi um longo caminho até aqui. Muita luta envolvida, tantas dificuldades… Mas tenho o principal: Fé em Deus, amor à Música e devoção à Vida.

Completo meio século em menos de um mês.

E estou apenas começando!

Créditos da imagem de destaque: Rodrigo Negrini

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