Alimente sua alma. Inspire Sonhos!
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Um pôr do sol inimaginável, descrição natural do simples existir.

Ser e viver, mexendo com estruturas até então intocadas. Nada romântico, de tanto lapidar transforma-se em nada mais, nada menos, que poesia. Daquela que faz a alma respirar a ponto de imaginar o mar, ao longe ou bem perto, levando quem ouve para um lugar indescritível. Larissa Baq está certa, vontade vira fumaça…

Ainda bem que temos a música dela em nossos dias. Simples, constante e cortante, nos direciona para a liberdade acompanhada pela responsabilidade, existencialismo de Jean Paul Sartre.

Seus dedilhados na guitarra, pedais regulados com efeitos precisos, além de outros truques nada ilusionistas, delicados e penetrantes loops e, claro, sua voz. Timbres mais que perfeitos! Seria uma busca semelhante às descritas pelos guitarristas Jimmy Page (Led Zeppelin), The Edge (U2) e Jack White (The White Stripes), no documentário A Todo Volume?

Sua arte é indígena e afrobrasileira. Ficamos surpresos ao ver o cover que ela fez do mais que conhecido Black Alien. Parece que, ao soar os acordes dela, com aquele cuidado todo de quem passa horas regulando os pedais, dá para sentir a presença das antigas distorções de Jimi Hendrix.

Aliás, referências de estilos musicais não faltam nas ondas sonoras que saem dos amplificadores valvulados ou semivalvulados de Larissa.

Amanhã, ou em qualquer outro momento, até porque, ela nos propõe para todos os dias observarmos o Astro Rei, veremos o sol se esconder, em sua beleza mais que poética e, ao mesmo tempo, sentir o som dela nos fazer mergulhar na força de nossas origens.

Dos arquivos de Larissa Baq

Dos arquivos de Larissa Baq

Inspirando Sonhos: Como alcançou essa completude musical? Quais foram seus mentores nessa caminhada?

Larissa Baq: Desde o início da minha vontade de me expressar através da música eu sinto uma pluralidade, em mim, que não consigo – e nem tentei – evitar. Soavam na minha adolescência os riffs sujos e as letras loucas do Kurt Cobain, bem como “Construção“ do Chico no repeat em diversas vezes.

Comecei no violão, fui para a guitarra e as bandas de garagem com referências mil. Aos 15 para a percussão, aos 16 para o trompete e me ligando, algum tempo depois, que eu tinha aí uma bagagem de ter mergulhado em instrumentos rítmicos, melódicos e harmônicos, nesses anos de entrega, base fundamental para eu conseguir experimentar pelos caminhos que experimento hoje e cada um ditando muito do que sou hoje.

Mentores? Kurt Cobain, Thom Yorke, St Vincent, Mutantes, Juana Molina, Milton Nascimento, Deep Purple, Led Zeppelin e mil outros. 🙂

Inspirando Sonhos: Cidade dos Anjos, A História sem Fim, ET… Qual é a ligação desses e de outros filmes com a sua música?

Larissa Baq: Que legal você vir para esse lado. Eu me formei em audiovisual e desde muito pequena sempre me liguei em cinema. Artistas completos pra mim, hoje, trabalham imagem e som de forma maestral e eu não conseguiria fazer diferente, não associar minha música a obras que me tocaram em algum momento da vida. Falando especificamente de Cidade dos Anjos, foi o que deu início à Quiçá, a cena dos anjos assistindo ao pôr e ao nascer do sol todos os dias, que é algo que mexe comigo e pouco paramos para ver.

Inspirando Sonhos: Composição, como é esse processo para você?

Larissa Baq: Completamente instintivo e desordenado. Às vezes vem primeiro uma frase que puxa algo na guitarra e daí a frase se desenvolve, também acontece o inverso. O que é curioso é que quase nunca começo pela melodia. Quando estou em casa deixo a guitarra e o pedal board, o synth e etc. já montados e algumas vezes por dia dou um pulo ali, fora as horinhas usuais de estudo. Isso ajuda a manter o exercício da composição, para além da necessidade de compor mesmo.

Inspirando Sonhos: Até chegar em seu primeiro disco, • v o a •, quais foram os caminhos que você traçou? Lugares e projetos…

Larissa Baq: Poxa, bastante coisa… E eu quis fazer bastante coisa justamente para poder somar conhecimentos, estrada, e saber por onde eu queria ir e por onde não queria ir.

Criei o dePerto, que é um show convidando sempre algum(a) compositor(a) diferente. Essa experiência de dividir palco em formato intimista, para um público de, no máximo, 100 pessoas, sempre me agrada muito.

Pesquisei mulheres compositoras no Compositoras Existem!, isso deu vazão para o Sonora acontecer esse ano, um festival somente com compositoras mulheres em que eu fiz a produção e a curadoria.

Amo o Improvisoul, apesar de rolar poucas vezes por ano. É um formato de show onde convido outros dois músicos e não temos repertório. A cada rodada um dos músicos puxa um motivo da forma que for. Improviso puro e simples, adoro essa liberdade.

Minha relação com São Paulo me deu vazão para ir além. No ano passado fiz mais de 82 shows, muitos desses foram shows solo, o que me trouxe uma segurança bem grande para estar em palco sozinha ou acompanhada, tocar para públicos que me conheciam ou que nunca tinham ouvido falar de mim. Argentina, Uruguai, vários estados do Brasil… Os últimos anos que antecederam o marco do • v o a •, nascendo, foram incríveis.

Inspirando Sonhos: Queremos saber de seus futuros passos, suas projeções para longo e médio-prazo… Quais são seus sonhos?

Larissa Baq: Continuar produzindo, sempre! Continuar estudando, experimentando, conhecendo gente que se encontra nessa mesma vontade do novo, de expandir e poder somar a essas pessoas.

Sonho em conseguir ver canais de mídia mais horizontais, sem medir a importância de ninguém a partir do “você é filho de quem?“ ou “quem produziu você?“, ver artistas respeitando outros artistas, independente dessas questões aí também.

Imagina se todo mundo fizesse o que está ao seu alcance para poder mudar algo pra melhor, e não só pra si mas pra toda uma cena?

Utópico, eu sei, hahaha! Sigo sonhando…

Inspirando Sonhos: Nessas suas andanças por países vizinhos ao Brasil e outros mais distantes, quais foram suas experiências mais marcantes?

Larissa Baq: O Brazilian Day em Barcelona, em 2012, foi um choque. Era minha primeira vez em um festival grande, fora do Brasil, tinha acabado de lançar meu EP • iR • e mexeu muito comigo. Era um público de doze mil pessoas na primeira vez que eu levava oficialmente meu trabalho autoral pra fora. Foi de pirar!

Foi muito marcante ir mais recentemente ao Uruguai e Argentina. Percebi o quão carinhosos e receptivos eles são com música que nunca tinham ouvido na vida. Esse respeito e curiosidade diz muitíssimo sobre um povo. Sou apaixonada pela América Latina.

Inspirando Sonhos: Fale-nos de suas memórias escolares…  

Larissa Baq: Eita! Lembro de ter muita sede de aprender coisas novas. Tive poucos, mas muito bons amigos por onde passei. Pegava vários livros pra ler mesmo quando não era obrigatório, me embrenhava por Baudelaire, Camus e Anaïs Nin no Ensino Médio, até estudei francês depois de ler esses caras. Perdia aula por estar em roda de samba até tarde no segundo colegial. Lembro de mudar de cidade constantemente e ter que fazer novos amigos o tempo todo, o que me custava muito porque eu era extremamente tímida.

Inspirando Sonhos: O que é a vida?

Larissa Baq: Vida é experimentar. Errar e acertar são conceitos relativos. Se você acha o seu conceito de errar e acertar, já ganhou na loteria! A partir daí é experimentar, melhorar, evoluir, se colocar no lugar de todo ser que cruzar teu caminho e seguir.

Inspirando Sonhos: Esquecemos de perguntar alguma coisa que você deseja que a gente saiba?

Larissa Baq: Adoraria que vocês soubessem que o trabalho de vocês é incrível, se houvesse esse carinho em todo canto, principalmente em se tratando de espalhar cultura pra quem tá a fim e espalhá-la de forma real, estaríamos em outro lugar, um lugar mais terno.

Obrigada. ♥

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