Alimente sua alma. Inspire Sonhos!
Telefone + 55 (11) 96425-5122
Palcos, multidões, viagens e vidas transformadas

Mauro Henrique, vocalista do Oficina G3, compartilhou sua trajetória artística, de vida e projetos musicais com a equipe Inspirando Sonhos.

Inspirando Sonhos: Como alcançou essa completude musical? Quais foram seus mentores nessa caminhada? Gostaríamos que compartilhasse conosco um pouco da sua trajetória artística. Se for o caso, pode remontar as raízes de sua infância, intercalando com sua caminhada musical.

Fui criado em um lar cristão, porém, num cenário de dificuldades financeiras, como muitos. Minha mãe criou três filhos sozinha, com apenas um salário mínimo. É incrível como Deus nunca deixou faltar nada! Ela fazia questão de que estivéssemos sempre na igreja, o que ocasionou meu interesse pela música aos oito anos de idade. Eu sempre andava com meu irmão, que era baixista, e os músicos da igreja, e logo cedo despertei a capacidade de tirar algumas “partes de músicas” de ouvido. Então, meu irmão e um grande amigo meu resolveram “investir” em mim me presenteando com minha primeira guitarra. Eles que me ensinaram os primeiros acordes. Daí, sabe como é… Ao invés de jogar bola, minha maior diversão era tirar músicas de ouvido e tocar o dia inteiro. Depois veio o interesse pelo contrabaixo e o canto chegou por último, por volta dos catorze anos de idade. Já aos dezoito anos me candidatei em um concurso nacional de uma grande emissora e fui o selecionado da região Centro Oeste. Porém, o concurso foi cancelado, mas serviu para me conectar com um produtor musical, que logo me chamou para gravar algumas coisas em seu estúdio. Não passou muito tempo e eu já estava trabalhando nesse estúdio, gravando instrumentos, backing vocal… Foi lá que surgiu a paixão por áudio, o que acabou me transformando no técnico de gravação desse estúdio. Depois fui convidado a trabalhar em um estúdio ainda maior no centro de Brasília e a essa altura já estava produzindo, mixando e masterizando trabalhos. Por isso, até hoje, gosto de fazer de cabo a rabo todo o processo de produção de áudio das minhas músicas.

Inspirando Sonhos: Pode nos contar um pouco sobre a sua experiência como vocalista do Oficina G3?

Na mesma época em que fui trabalhar nesse novo estúdio entrei na banda Vértice, fundada pelo Jean Carllos, antes de entrar no G3, porém, não o conhecia. Depois de um tempo mudamos o nome da banda para Fullrange e lançamos três singles (posteriormente um deles virou uma das músicas de trabalho do G3, Incondicional). Com a demanda de produções e trabalhos que todos estavam tendo, o Fullrange acabou esfriando. Foi quando minha esposa (que hoje está com o Pai) e eu decidimos viajar para a Europa para estudar, respirar novos ares… Bem nesse momento, já com as passagens compradas, que o Juninho Afram me ligou… E aí tudo aconteceu! Desistimos da viagem e já entrei no G3 gravando o álbum “Depois da Guerra”, ganhamos o Grammy Latino em 2009 de melhor álbum cristão e gravamos no mesmo ano o DVD do mesmo álbum. Com certeza foi uma mudança drástica e muito boa em minha vida… Palcos, multidões, viagens, vidas transformadas… O que me fez esquecer durante um tempo da minha vida de produções em estúdios. Através do G3 pude presenciar o poder da ação de Deus na vida das pessoas por meio das canções. Um privilégio muito grande! E procuro cada vez mais mergulhar nisso, porque é mágico e não transforma só as vidas das pessoas, mas a minha também. Cada vez mais entendo que a música é apenas um dos mecanismos para essa ação que transforma vidas, Cristo.

Inspirando Sonhos: Você é um artista que idealiza e leva à frente inúmeros projetos: Loop Session, Básico, aulas de canto (Canto na Prática), utilizando ferramentas tecnológicas para atingir diferentes públicos e, recentemente, acompanhamos a criação do Completo. Conte um pouco sobre a experiência nesses projetos, principalmente sobre o Completo.

Realmente gosto de criar e estar envolvido em muitos projetos!  Esse ano, com a pausa do G3, estou focado em três projetos musicais fora os de ensino: Completo, Básico e o Casa Refúgio. O Completo é uma mistura do que fiz no último Loop Session, porém, com novo repertório e algumas características diferentes, além de usar guitarra, synths e loop, conto com ajuda de mais um músico no palco, Maick Sousa tocando bateria e synths. Esse projeto tem uma sonoridade peculiar, embora tenha somente duas pessoas no palco, conseguimos deixar as músicas com uma massa sonora incrível,  semelhante a de uma banda “completa”, por isso o nome. Já o Básico é praticamente um Pocket, uma versão reduzida do Completo. Com apenas voz, violão e loop replicando algumas músicas do repertório do Completo, mas com uma sonoridade mais orgânica e intimista, é como se fosse o Completo mais Básico (risos). E o Casa Refúgio é um projeto com a cantora Heloisa Rosa, em que acontece uma mistura dos nossos repertórios, com arranjos totalmente novos e com a mistura das nossas vozes nas canções. Esse projeto também possui uma peculiaridade, um trabalho muito especial com o alinhamento de propósito na vida das pessoas, através de palestras e mensagens que ministramos. Recentemente, gravamos um evento no Teatro Ópera de Arame, em Curitiba, e iremos lançar no YouTube para que as pessoas conheçam melhor esse projeto. Além de tudo, tenho já há mais de quatro anos meu curso online de canto, o Canto na Prática, que já conta com mais de 2 mil alunos no Brasil e em outros países. Tenho outra plataforma de assinatura chamada Músico na Prática, que trabalha o ensino de vários instrumentos musicais. Esse ano também comecei meu primeiro grupo de mentoria, o SING, em que eu mesmo escolhi alunos muito talentosos que tiveram um bom resultado no CNP, para pessoalmente dar um treinamento especial: musical, artístico, desenvolvimento pessoal, propósito e valores.

Inspirando Sonhos: O que é espiritualidade para você e quais significados isso traz para sua arte?

Para mim, espiritualidade está relacionada ao desfrute da vida de Deus em nós. Desfrutar para mim significa entrar em ação e usufruir verdadeiramente dessa vida, de forma plena. É muito comum gastarmos muita energia e tempo ouvindo, falando, estudando e tentando absorver informações sobre como funciona a vida de Cristo em nós. É claro que isso é imprescindível, porém, muito mais importante é praticarmos e aplicarmos tudo que aprendemos, só assim poderemos experimentar essa vida de forma eficaz. A bíblia nos leva constantemente ao evangelho da ação, o evangelho praticado. A ação fala mais que palavras. Então, acredito que a vida espiritual está relacionada à ação e prática do amor e relacionamento com o Eterno e com as pessoas, sabendo ser amado e amando. É incrível como que, depois que ligamos essa chave em nossas mentes sobre o que verdadeiramente é real e tem real valor na vida, conseguimos melhorar nossa saúde espiritual, emocional e até mesmo do nosso corpo. E essa é a vontade de Deus, que vivamos uma vida plena que só existe Nele, que só existe em Cristo.

Inspirando Sonhos: Quais sentidos você atribui à palavra artista?

É muito comum os cristãos terem uma rejeição com essa palavra, ligando a palavra “artista” à “estrela” e coisas parecidas. É um grande equívoco porque do mesmo jeito que um médico é quem pratica medicina ou que um pescador é quem pesca peixes, um artista é apenas quem pratica ou faz arte. Nada demais! Apenas uma função. O problema está em atribuir a função artística somente à adoração, seja ela qual for. E a adoração não está relacionada à função porque ela ultrapassa, e muito, qualquer função. A adoração está ligada a um relacionamento de vida íntimo, sincero e constante com Deus e não a um estilo musical ou arte em geral. A arte pode ser usada ou não como um mecanismo para imprimirmos essa adoração. Mas isso não é o que irá determinar se alguém é ou não adorador. Por isso não critico quem usa a arte como função, trabalho. O que vai determinar se essa pessoa é ou não uma adoradora não é a função e sim seu relacionamento com Deus. Conheço muitas pessoas que usam a arte apenas como trabalho, fonte de renda e são adoradoras de verdade porque podemos perceber através dos seus frutos, através da sua vida, e tudo isso através das ações. Eu por ventura escolhi imprimir as minhas adorações em minhas letras. Mas não quer dizer que sou melhor do que alguém que não faça o mesmo. É necessário olharmos para a vida e não para a função.

Inspirando Sonhos: Pode nos falar de suas memórias escolares? Seu tempo na escola… Você acha que seus professores e vivências escolares contribuíram para a sua formação como professor de música?

Em alguns momentos eu era bom aluno, mas na maioria do tempo, mau aluno (risos). Nunca tive nenhum incentivo, ou qualquer coisa parecida, quanto à música na escola. Mas acho que poderíamos ter mais esse incentivo através do ensino de música nas escolas, como existe em muitos países.

Inspirando Sonhos: Qual pergunta não fizemos, mas deseja falar sobre?

Acho que tá bom né… Certamente já terão que resumir muito o que já disse (risos).

Adicionar Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios são marcados *