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(…) Palavras. São tudo, para quem escreve. Ou quase tudo.

Como a serra, o martelo, a plaina, a madeira, a cola e os pregos para o marceneiro; como a colher, o prumo, os tijolos e a argamassa para o pedreiro; como a fazenda, a linha, a tesoura e a agulha para o alfaiate. Estou falando em instrumentos de trabalho, porque literatura nem sempre parece trabalho.

Há uma história (sempre contando histórias, Moacyr Scliar! Sempre contando histórias!) sobre um escritor e seu vizinho.

O vizinho olhava o escritor que estava sentado, quieto, no jardim, e perguntava:

Descansando, senhor escritor?

Ao que o escritor respondia:

Não, trabalhando.

Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando?

Não, respondia o escritor, descansando.

As aparências enganam; enganam até ao próprio escritor. Gabriel García Marquez conta que, quando senta para escrever, gosta de estar rodeado dos mais variados instrumentos: a máquina, vários lápis, tesoura, cola, borracha, grampeador – para se sentir como um operário que vai empreender a tarefa; o operário em construção, de Vinicius de Moraes:

“Era ele quem fazia casas/ Onde antes só havia chão”. (…)

Fonte: Scliar, Moacyr. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar e outras crônicas. L&PM Editores, 1996.

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