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“É preciso muita coragem para acreditar em sua arte”, entrevista com o tecladista Nei Medeiros

Conhecemos o trabalho de Nei Medeiros muito recentemente. Fomos convidados para participar de um evento na Escola de Música e Tecnologia – EM&T, em dezembro de 2018. Simplesmente estávamos diante de uma apresentação, em formato de workshop, com o tecladista do Dream Theater, Jordan Rudess. Nei Medeiros, nesta oportunidade, foi um dos responsáveis pela abertura do show/workshop, compondo o trio de tecladistas K3 Experience Brazil. Neste dia o convidamos para ser entrevistado pela equipe Inspirando Sonhos.

Ficamos maravilhados com a trajetória deste artista, sempre engajado em sua formação enquanto músico. Estudou no Conservatório Souza Lima e na EMESP Tom Jobim, uma formação que transita pelo erudito e o popular.

Destacamos sua participação na banda Ceremonya. Arranjos, harmonias, composições, o peso que seu teclado traz em todo o enredo apresentado pela banda, o bom e velho rock trabalhado e transmitido de modo cuidadoso, tanto nas mensagens poéticas como na riqueza das melodias. “A vida num segundo”, álbum indicado ao Grammy Latino, é uma obra de arte impecável, bastante importante para a história da música brasileira.

Uprise é o nome de seu trabalho solo, completamente instrumental. No mesmo workshop que o conhecemos, um dos participantes indagou Nei Medeiros sobre seu processo de composição, como vinha a inspiração para criar temas tão densos, complexos e, ao mesmo tempo, de extrema leveza. Ele respondeu que geralmente cria enquanto está jogando videogame, mesmo quando o jogo está no nível expert.

Ainda estamos tentando entender qual é a conexão mental que ele faz entre o jogar e a inspiração para criar novas músicas. Mas uma coisa é certa, essa máxima que ele soltou em seu workshop na EM&T descreve exatamente a sensação que temos ao ouvir seu trabalho solo – a de que você está em meio à trilha sonora de um jogo que você gosta muito e não vai parar de jogar até completar todos os níveis, atravessar todas as fases, mesmo com todos os obstáculos colocados.

Inspirando Sonhos: Compartilhe conosco um pouco de sua trajetória artística, se for o caso, pode remontar as raízes de sua infância, intercalando com sua caminhada musical.

Comecei no meio musical um pouco tarde e por incentivo do meu pai, que me comprou meu primeiro Key, sempre quis que eu aprendesse a tocar e, no começo, achei que não levava jeito, até começar a tirar algumas músicas de ouvido e meio que aprender sozinho. Com o tempo comecei a gostar tanto que senti muita necessidade de aprender mais. E a coisa foi crescendo tanto que chegou um ponto da minha vida em que a música passou a ser aquilo que eu mais sabia e gostava, então larguei tudo, carreira em Marketing e um emprego em uma multinacional. Nunca me arrependi e faria tudo de novo.

Nei Medeiros e Jordan Rudess (Créditos: Arquivo Pessoal)

Inspirando Sonhos: Recentemente, você e os também tecladistas Fábio Laguna e Korgman (K3 Experience Brazil) abriram o workshop de Jordan Rudess, tecladista do Dream Theater, na Escola de Música e Tecnologia – EM&T. Como foi esta experiência?

Sou muito fã do Dream Theater, gosto demais de todos os tecladistas que passaram pela banda, que sempre me inspirou em meus sons pessoais também. Jordan Rudess para os tecladistas de metal progressivo sempre foi uma grande referência. Ter a oportunidade de estar nesse evento junto com o K3 foi uma responsabilidade e uma alegria imensa, ainda mais por ser reconhecido e saber que tenho toda a confiança da KORG/Pride Music. Apesar do pouco tempo de ensaio, mesmo assim subimos ao palco, foi superdivertido e tranquilo.

Inspirando Sonhos: Quais músicos você admira?

Admiro muito grandes pianistas de jazz, erudito e do rock. Michel Camilo, Chick Corea, Jon Lord, Keith Emerson, Vince DiCola, Chopin, Hans Zimmer.

Inspirando Sonhos: Como foi sua trajetória na banda Ceremonya, desde sua entrada na banda, considerando a lendária experiência da indicação ao Grammy Latino, até o anúncio do encerramento das atividades?

Entrei na banda em 2008 e logo lançamos o segundo CD da banda, foi um grande aprendizado para mim porque acabei me encontrando no palco, onde achei o meu estilo e sonoridade. Encontrar estilo e som próprios é bem difícil para o músico, você sempre vive à sombra de algum outro músico que admira, então, isso é libertador. Viajamos bastante em turnê, conheci muitas pessoas e lugares.

Inspirando Sonhos: Quais sonhos você tinha logo no início de seu engajamento na música e que já foram alcançados? E quais busca alcançar?

Tive várias oportunidades que jamais pensei que iria conseguir e nem me passou pela cabeça sonhar. Meu maior sonho era ter a oportunidade de viver daquilo que mais gostava na vida, viver de música. A partir disso, as coisas passaram a acontecer de uma forma que jamais pensei, agradeço a Deus todos os dias por todas as oportunidades que tive. Meu maior sonho para o futuro é continuar trabalhando e o restante é consequência disso.

Inspirando Sonhos: Qual é seu livro preferido? Pode discorrer um pouco sobre ele para que mais pessoas conheçam?

Gosto muito do livro A menina que roubava livros, a maneira como os fatos são narrados. O caçador de pipas foi bem marcante para mim, uma frase que acho linda do livro: “Por você, faria isso mil vezes!”, tem que ler para entender o contexto, mas não existem tantas pessoas em nossas vidas para as quais daríamos a vida mil vezes. Também recomendo o livro Eu sou o mensageiro.

Inspirando Sonhos: Qual filme você considera importante indicar? Pode discorrer um pouco para que mais pessoas conheçam?

Conheço o mundo através de livros e muito mais por meio de filmes. Vários me marcaram, principalmente dos anos 1980: Os Goonies; De volta para o Futuro; Indiana Jones; Os garotos perdidos; Forrest Gump; Star Wars; Inception; Matrix. Recentemente, O Curioso Caso de Benjamin Button. Esse filme inverte um pouco a ideia de vida e a história se passa em New Orleans. Considero importante destacar uma cena: a hora que começam a contar a história do acidente da bailarina. Se o taxista não tivesse perdido a hora… Até chegar à verdade que o destino nos proporciona diariamente… Assistam!

Inspirando Sonhos: Que sentidos você atribui à palavra artista?

O maior sentido para mim e que vejo em todos os artistas, não importando a área, é ser uma pessoa de coragem. É preciso muita coragem para acreditar em sua arte e largar tudo para segui-la. Eu realmente admiro muito. E se você sonha em ser artista, por favor, vá em frente. Nossa vida passa rápido demais e você só tem uma chance. E por que desperdiçar essa chance fazendo algo só por dinheiro e não por um bem maior e espiritual?

Imagem de destaque: Fernando Storielli

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