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“Viver de música é sempre uma aventura”, entrevista com Mozart Mello

Uma livraria e editora que se preocupa em disseminar conhecimentos através das histórias que recebemos e as tornamos públicas.

Temos o comprometimento não apenas com a venda de produtos relacionados às diversas atividades artísticas, mas também com o compartilhar de histórias de pessoas que estão profundamente engajadas no universo da arte e da cultura.

E hoje temos o prazer de divulgar a conversa que tivemos com Mozart Mello. Você conhece a trajetória dele?

Mergulhe nos detalhes das palavras aqui ditas. Histórias e projetos. Realmente inspirador, repleto de ricas e densas referências. Uma aula sonhada por muitos.

Inspirando Sonhos: Conte-nos um pouco de sua trajetória na música e sua inserção no campo da arte e da cultura.

Estou envolvido com música desde pequeno. Em casa, todos tocavam. Minha irmã, cinco anos mais velha do que eu, já tocava bossa nova, meu pai tocava vários instrumentos, minha mãe tocava harmônica, então, fui criado nesse meio. Meu pai também chama-se Mozart, então, já tem essa influência tanto de avós maternos quanto de avós paternos, os quais não conheci. Até doei alguns instrumentos de banda, eles tocavam em coreto. Doei violino, clarinete, partituras de avô que não conheci. Então, tem alguma coisa “genética” aí nesse meio. Pra você ter uma ideia, com quatorze anos eu já tocava na televisão, em 1967, num programa chamado Mini Guarda, imitação da Jovem Guarda, só que era a Jovem Guarda mirim. Na Jovem Guarda tinha o Roberto Carlos e na Mini Guarda tinha o Ed Carlos. E eu já tocava numa banda, chamada Os Selvagens. Sempre estive envolvido com música, mas jamais pensei que viraria minha profissão porque depois, mais pra frente, fiz Engenharia Civil, fui para outro caminho e só fui me profissionalizar no final dos anos 1970, por necessidade, por falta de trabalho. Fui tocar numa banda da mídia chamada Joelho de Porco, uma banda de sátira, na onda dos Mamonas Assassinas. Se você procurar Joelho de Porco no programa Os Trapalhões, vai ver na Globo, nós estávamos em todos os lugares, era o que acontecia na época, em 1978, por aí. E eu percebi que não dava mais pra não viver de música. E começou a minha trajetória de, na verdade, tentar sobreviver de música, mas o meu envolvimento com música foi desde pequeno.

Inspirando Sonhos: Como está o mercado da música instrumental nos dias atuais? Quais são os espaços de atuação para o músico que deseja empenhar seus conhecimentos neste campo?

A música instrumental teve um pico nos anos 1980, que tem a ver com a próxima pergunta. Os anos 1980 foram fantásticos para a música instrumental. Nessa época, eu tocava com o trio D’Alma e a gente fazia turnê nacional, tocava em todos os teatros e fazia televisão, programas em tevês culturais, inclusive tive a possibilidade de tocar no exterior também. A partir daí, a coisa ficou muito difícil. As pessoas me falam que tem um movimento de música instrumental muito forte aqui em São Paulo ainda, no circuito de bares. Eu não posso dizer o que está acontecendo porque eu não tenho frequentado. A música instrumental pra mim ficou mais no sentido… Tenho a minha imagem bastante associada à pedagogia, sou muito convidado pra tocar, fazer festivais mais na parte pedagógica, masterclass, workshops, e eu me sinto bem porque para você ter um trabalho de música instrumental consistente, tem que ter uma banda, ensaiar bastante e tal, coisa que a gente não consegue hoje, juntar os músicos pra ensaiar. Excepcionalmente agora estou conseguindo fazer isso. Em 1994, tinha um trabalho chamado One Way, gravei um DVD de música instrumental e agora nós estamos fazendo o One Way Vol. 2, estamos ensaiando um trabalho instrumental, tem coisas de música brasileira, de bola no chão, um pouquinho de virtuosidade, algumas propostas um pouco diferentes, mas não pode pegar muito pesado, senão não há público pra isso. Não tem expectativa nenhuma de: – “Nossa, agora vai acontecer, vamos fazer DVD, excursionar…”. Nenhuma, a gente faz pra se manter atualizado, pra treinar e se conseguir fazer bons eventos, isso é muito estimulante pra estudar, manter os dedos em cima. Os espaços para atuação de música que eu fiquei sabendo, existe um circuito de bares, como sempre os SESC’s são lugares incríveis onde se é possível desenvolver trabalhos. Os shows de melhor produção que fiz nesses anos todos, nos últimos dez anos com música instrumental, foram nos SESC’s e nos festivais de guitarra. Havia muitos festivais de guitarra, agora não tem porque a coisa ficou ruim, não temos mais nenhuma revista de guitarra. A Guitar Player fechou, a Total Guitar fechou também, não temos mais nenhuma revista física. Eu tocava todo ano no Festival Guitar Player e a gente fazia miniturnês com quatro ou cinco guitarristas pelo Brasil e hoje não tem mais isso. Mas também tenho que entender que estou com sessenta e cinco anos agora e tem novas gerações ocupando esse espaço, o que é super natural. Quero voltar a esse cenário de música instrumental, mas como falei, não tenho nenhuma expectativa muito grande, é só pra se manter dentro do jogo, então, dizem que tem muitos bares agora de música instrumental, fico sabendo que tem grandes shows e tem uma nova geração tocando muito bem, isso eu vejo nas redes. Quando você olha o Facebook tem um pessoal tocando muito bem e ocupando esses espaços. Fico bem contente de saber disso.

Inspirando Sonhos: Grupo D’Alma. Como foi a experiência de integrar o trio com André Geraissati e Ulisses Rocha?

Quanto ao trio D’Alma, foi incrível! Eu falo para o pessoal assim: – “Eu tive o privilégio de estar presente em alguns guetos de música na grande mídia”. Com o Joelho de Porco, que já citei; com os Secos e Molhados fiz arranjos de dois trabalhos e gravei; no ambiente de música de Rock Progressivo, até hoje tenho uma banda chamada Terreno Baldio, da década de 1970, voltamos agora com uma nova formação, estamos gravando um novo trabalho. E ainda tem os festivais de rock espalhados no Brasil, tipo Woodstock, fazendas onde se reúnem milhares de pessoas pra ficar ouvindo música, acampando e ouvindo música durante alguns dias. É muito legal que exista isso aí, digamos que uma coisa alternativa. E com o D’Alma tive o privilégio de ver o que é a música instrumental internacional por dentro, tocamos em vários festivais internacionais. O D’Alma fazia turnês pelo Brasil e turnê internacional. A única vez que toquei fora do Brasil foi com o D’Alma e foi uma experiência incrível! A gente tocava em grandes teatros e o fato de serem três violões, as secretarias de cultura abriram as portas pra gente. Se fossem três guitarras jamais ia acontecer isso. Então, era um trio que tinha a simpatia dos músicos populares, dos músicos eruditos e da música instrumental. Com isso, a gente participou de grandes eventos aqui no Brasil e lá fora, em eventos internacionais. Foi incrível. E quando a gente tava preparando um trabalho com orquestra, pedi pra sair porque eu queria fazer coisas diferentes, mais com guitarra e não com violão porque o meu instrumento é guitarra. E também teve o desgaste normal de ficar muitos anos tocando juntos, cada um com a sua carreira individual.

Inspirando Sonhos: Pode nos dizer como é a relação entre viver de música e as coisas cotidianas da vida? Preocupar-se com as contas, um plano de saúde, fazer compras no mercado ou planejar uma viagem para outro estado ou país?

Viver de música é sempre uma aventura porque a música é uma paixão, você não se importa de ficar oito, nove, dez horas estudando uma música, mesmo que não dê retorno financeiro nenhum pra você. Só que vai chegando uma certa idade que você tem que tomar cuidado com essa equação, porque tem que pagar muitas contas e tem muitas responsabilidades com a família, filhos, faculdade de filhos, escola de filhos, e os pais vão ficando idosos. Sempre fui responsável por muitas contas de várias casas (risos), então, o jeito que achei foi na parte pedagógica, de dar aula, sempre num ritmo muito forte e era o meu trabalho principal. Quando apareciam shows, gravações, eram bem-vindos porque sempre ajudavam a parte financeira, mas a estabilidade pra mim veio com a parte de aulas. Tem uma outra coisa que falo para os jovens: – “Tem que tomar cuidado, a partir dos trinta anos, mais ou menos, tem que planejar o que chamo de velhice digna, porque aí você não vai ter mais a mesma performance física e outras gerações de músicos estão aparecendo e claro, você vai perder espaço, o que é uma coisa normal. Tem que fazer um bom planejamento, realmente, pra você conseguir sobreviver de música”. Eu tenho sorte porque tenho doze publicações que me ajudaram e me ajudam muito. Hoje em dia, estou indo pra esse universo online, mas até hoje sou muito procurado por essa parte editorial e pedagógica. Digamos que a parte familiar sempre sai sacrificada porque você acaba ficando em turnê de trinta a trinta e cinco dias, acaba ficando fora. Isso foi sempre uma coisa que me incomodou, mas faz parte do trabalho, uma vez que você entra nessa profissão tem que saber que requer esses sacrifícios.

Inspirando Sonhos: Como era tocar em bailinhos na época da Jovem Guarda? Conte um pouco sobre a amizade e parceria musical com Eduardo Araújo.

Eu falo para o pessoal que na minha adolescência, nasci em 1953, então, nos anos 1960, quando apareceram os Beatles, tive essa sorte, se você ia fazer um bailinho tinham duas possibilidades: uma, era um vinil tocando numa vitrola, o vinil inteiro, ou então, era uma banda tocando. E eu tocava muito em aniversários, bailinhos, fazia domingueiras em clubes também. Nasci no bairro da Pompeia, então, quando você de sábado andava no final da semana pelo bairro da Pompeia, Sumaré, tinha uma banda ensaiando numa esquina, na outra esquina tinha outra banda. Quero lembrar que ali na Pompeia tinha Os Mutantes, o Made in Brazil, muitas bandas de adolescentes que todo final de semana estava tocando em algum lugar ou até em almoços, em clubes. Toquei na Mini Guarda porque não tinha idade ainda pra tocar na Jovem Guarda, como relatei. Em 1967, tocava na Mini Guarda todos os domingos na Tevê Bandeirantes. O Eduardo Araújo é um cara incrível, sempre gostou muito de guitarras. Se você for ver os guitarristas que tocaram com ele, são grandes nomes da guitarra nacional. Uma época, nós montamos um quarteto, Celso Pixinga, Luis Lopes no piano, Albino Infantozzi na bateria e eu, tocamos juntos muito tempo. Até hoje toco com o Albino e, a partir desse quarteto, começamos a fazer turnês com eles, com o Eduardo Araújo e a Silvinha Araújo, que infelizmente faleceu. Eram shows incríveis que nós fizemos pelo Brasil. Ele era criador de Cavalo Mangalarga, então, nessas feiras agropecuárias tocamos em todas, conhecemos tanta gente legal, depois ele montou uma superbanda, com metaleira e tudo. Gravamos um DVD, foi muito legal essa fase, ele é um cara a quem devo muito, ajudava muito os músicos, respeitava e remunerava muito bem, coisa difícil hoje em dia (risos).

Inspirando Sonhos: Pode nos falar sobre seus projetos de iniciação musical? Estamos nos referindo a iniciativas que você coordenou em que crianças foram incentivadas a entrar em contato com a música, no mesmo momento em que estavam aprendendo a ler.

Sobre iniciação musical, numa época, tive uma sorte de… Quando percebi que ia viver de música, comecei a pegar trabalho em tudo quanto é lugar. Conservatório lá no Largo Treze de Maio, coisa muito popular. Eu falo, Roberto Carlos era muito sofisticado para o pessoal, para você ter uma ideia (risos). E teve um Conservatório chamado Frutuoso Viana, no Alto da Lapa, em que tive duas missões interessantes. Nesse Conservatório eu tinha sido aluno uma época, voltei lá porque precisava trabalhar e fui contratado imediatamente. Tive dois desafios. O primeiro era dar aula de violão erudito. Fui estudar violão erudito de verdade, me formei, minha carteira de músico profissional é de músico erudito e consegui formar alunos de violão erudito. Isso pra mim era uma loucura, uma coisa impossível para um músico popular e guitarrista de rock, mas me ajudou muito. E outra coisa era que aos sábados fui dar aulas para crianças, só toquinho mesmo. E aí, como a minha mãe era professora, ela conhecia muitos livros de música para crianças e eu comecei a pesquisar repertórios porque naquela época não tinha nada. Comecei a tomar gosto por isso. Aos sábados de manhã, a minha função era dar aulas para crianças e foi uma experiência incrível ver como eles são ligados à arte, a paixão que eles têm pela arte, como pegam as coisas rápido, então, a minha missão principal foi essa. Depois, mais pra frente, me envolvi em vários projetos. As pessoas não sabem, mas eu já dei aula pra deficiente visual, já dei aula pra deficiente mental, dei aula pra deficientes auditivos, incrível isso, mas achei um jeito de dar aula. Foi bem bacana poder participar disso, um aprendizado muito grande pra mim, me acrescentou muito nessa cultura de passar arte para as pessoas.

Inspirando Sonhos: Você desenvolveu parcerias com escolas conceituadas de música. Pode nos falar desta experiência?

Estive envolvido com várias escolas de música: Conservatório Musical Brooklin Paulista; tive uma parceria com o Souza Lima – Conservatório e Faculdade de Música (Unidade Pinheiros), era sócio, dei aula na Unidade Jardins durante muito tempo. Depois veio o primeiro IG&T, em 1988; o segundo IG&T, nos anos 1990, que se tornou a EM&T posteriormente. Cada instituto, fui montando um por um, era o diretor pedagógico, de guitarra, depois trouxe o Pixinga pra montar o instituto de baixo, Ulisses Rocha para violão, Alaor Neves para bateria. Depois foram mudando para outras pessoas, mas no começo foi isso. Foi incrível poder montar uma escola, a parte pedagógica do zero, participar da montagem de cada apostila, de cada módulo, foi uma experiência bacana. Fiquei na EM&T até… Acho que faz um ano e meio que saí de lá, rolaram umas incompatibilidades no que penso que é educação musical: – “Melhor procurar o meu caminho”. Mas foi uma experiência incrível, conheci grandes músicos, passaram muitos alunos, muitos estão tocando por aí, cheguei a dar aula em faculdade, na Carlos Gomes, eu não tinha o título, mas eles conseguiram uma licença pra eu poder dar aula de guitarra dentro de uma Faculdade de Música. Também fui professor na Universidade Livre de Música (ULM/EMESP), foram tantos lugares e em outros estados também, viajava aos domingos para dar aula em inúmeros locais.

Inspirando Sonhos: Como tem sido atualmente sua rotina de guitarrista e professor de música nesse universo da inovação e novas tecnologias?

Eu migrei para cursos online e tenho uma mentoria sobre isso, é uma coisa bastante complexa, não é fácil ter um curso online, tenho uma mentoria que me diz o que tenho de fazer, o tipo de divulgação, poderia elencar, é um monte de coisas que acontecem até chegar realmente na parte da música e do conteúdo. É necessário entender de várias ferramentas e tive que me associar com pessoas que entendem disso. Hoje em dia, meu filho mais novo trabalha comigo também na parte de edição de vídeos, na parte de internet, de plataformas. Também tenho mentoria de um cara chamado Rafael Nery e a esposa dele Miela Nery, senão, o trabalho seria impossível, muita coisa acontece por trás de um curso online profissional. Só a parte burocrática, de impostos, notas fiscais, tudo isso é uma coisa bem complexa, mas eu migrei pra isso, estou com o meu primeiro curso desde abril de 2018, está indo muito bem, um curso de harmonia com centenas de alunos, graças a Deus. Estamos partindo para novos produtos, agora em fevereiro de 2019 vamos ter algumas novidades, bastante coisa interessante neste ano. Estou passando todos os meus livros, as doze publicações digitalizadas, em que a pessoa terá um ambiente só para estudar isso. O papel hoje em dia está caro, ecologicamente errado, os meus livros são grandes, com mais de duzentas páginas, se você pega doze publicações dá pra imaginar a quantidade de papel. As mídias são caras, há coleções minhas com vinte e duas mídias, se for fazer cinco cópias dá mais de cem mídias. Então, o modelo de plataforma é legal, mais democrático e agrego alunos no mundo inteiro. Tenho alunos no Brasil inteiro, na Inglaterra, Estocolmo, Escócia, nos Estados Unidos. Falo de brasileiros que moram lá fora porque o curso não é bilíngue. Tenho um projeto para isso, mas não é para agora, acho que vai demorar bastante. Nós estamos caminhando para isso e não tem volta. A prova disso é a falência das revistas de música, falências de várias pessoas que não estão usando o mercado digital para os seus produtos, para vendas e assim por diante. Não tem como, isso veio como um trator, passando por cima de tudo o que a gente fazia antigamente.

Inspirando Sonhos: Vimos na sua entrevista para o programa Ao Vivo lá em Casa que você deseja criar um aplicativo para favorecer os músicos de diversas formas. Deseja aproveitar o espaço para expor essa ideia?

Bom, há alguns anos atrás, estimulado por alguns amigos, fui até a IBM, estive lá por quatro vezes para tentar desenvolver um software. Até criei uma página no Facebook chamada REMIBRASIL (Rede de Músicos Independentes do Brasil). Existe esse Facebook, mas está inativo, lá explico tudo o que acontece. Nós estamos passando por uma fase em que a classe musical está sofrendo pela falta de representatividade em todos os níveis, desde o federal, estadual, municipal, não há ninguém que representa. E a Ordem dos Músicos ficou uma coisa completamente arcaica, tanto é que a luta da classe musical é você não precisar da carteirinha da Ordem pra poder trabalhar e, pelo que me consta, pelo menos no Estado de São Paulo, não precisa mais, algumas entidades como SESC, Banco do Brasil, Itaú, obrigavam você a ter uma carteira de músico, agora não é mais necessário. Então, diante disso, falei: – “Está tendo uma mudança tão grande…”. Então, estive na IBM e eles desenvolveram um software que simplesmente ia regularizar toda a classe, toda a atividade artística e comercial ao mesmo tempo, através de um cadastramento por categorias, daria para saber o que está acontecendo em cada bairro, em cada cidade do Brasil, se alguém está estudando música, comprando algum instrumento, fazendo algum show, desenvolvendo alguma produção musical, tudo isso estaria nesse portal e depois no software, que seria um grande aplicativo. A IBM daria relatórios bimestrais dizendo o que aconteceu em cada lugar, por exemplo, não está vendendo guitarra em determinada região, em outro lugar montaram uma orquestra de música, assim, esta ferramenta nos auxiliaria no monitoramento e isso seria saudável para todas as pessoas envolvidas com música. Foi incrível, eles fizeram até uma apresentação pra mim, mas chegou na hora dos valores, todo esse processo que ia desenvolver um grande portal, um software e o aplicativo, incluindo a manutenção disso, era a partir de R$ 3.500.000,00. Mas mesmo assim, achei que com o carimbo da IBM seria importante até para dar credibilidade à categoria. Fui atrás para falar com alguns empresários, cheguei a fazer palestras sobre isso, até na Maçonaria pra ver o que eles achavam, mas não consegui nada. O ambiente musical, os empresários, os músicos não estão interessados nisso. Eles querem ficar no passado mesmo, em que as coisas vão engatinhando, não querem acompanhar uma coisa que seria lógica e talvez tenham medo do que seja esse monitoramento. O pessoal pensa como se fosse um Facebook de músicos e não é isso, é uma coisa pra gente ver como é que funciona esse mercado e atacar os pontos vulneráveis. A partir daí, tive que encostar o projeto porque sem dinheiro não tem como fazer. Imagino que agora esses aplicativos seriam muito mais baratos, as coisas baratearam muito, a tecnologia, mas o pessoal não entendeu e realmente não vai entender mesmo. Uma hora algum empresário vai tomar e levar pra frente essa iniciativa. Resumindo é isso.

Inspirando Sonhos: Quais sentidos você atribui à palavra artista?

Essa coisa de artista hoje em dia… Eu vejo de uma maneira mais simples. Vejo o artista mais como um prestador de serviço e um cara muito importante para direcionar as pessoas para um lado bom ou um lado ruim. Tem que tomar muito cuidado hoje, a velocidade da informação é muito rápida, então, o cara pode induzir a pessoa a coisas boas, a coisas ruins. Nós vemos a mídia como é hoje em dia, na loucura que se transformou. Não me vejo como artista, me vejo como um músico, prestador de serviços. É claro, nós temos grandes artistas com grandes obras e, muitas vezes, o cara tem uma grande obra, mas socialmente não o acho um cara tão responsável pelo que ele fala, a postura dele, parece que quando ele propõe a arte dele, vende uma coisa, mas ele mesmo tem uma outra atitude. Isso cansa um pouquinho, quem já acompanhou muitos artistas, como eu, percebe que isso é mais ou menos comum e tem que tomar esse cuidado. Hoje em dia, a função do artista é a de um prestador de serviços como qualquer outro. E assim como o esporte, a arte, principalmente, tem um elemento que pode ajudar demais na educação ou na reeducação do povo. É do que nós estamos mais carentes, de educação em todos os níveis e pra qualquer nível social também. Então, o artista pode ajudar muito nesse ponto, através do que ele fala, mas também da postura dele. Não adianta você falar uma coisa e não ter uma postura condizente com aquilo que você falou. É o que tem acontecido, prefiro me colocar como músico e não como artista. No meu caso, ainda tenho uma piadinha que sempre conto. Quando o cara pergunta: – “O que você faz?”. Eu falo: – “Olha, vou falar o que eu faço e você vai chorar duas vezes”. Aí o cara fala: – “O que você faz?”. Eu falo: – “Sou professor”. Ele começa a dar risada e chora. – “Só que eu vou piorar um pouco. Sou professor de música”. Aí, o cara vai chorar duas vezes. A brincadeira é assim, como o professor é desvalorizado, o professor de música é muito mais ainda, é considerado supérfluo. Tudo é mais importante do que um professor de música, professor de qualquer outra coisa é mais importante. Já foi essa época que a classe tinha uma certa ética e respeito. Hoje em dia não tem mais não. Um abraço a todos, tudo de bom!

Créditos imagem de destaque: Reprodução/Facebook

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