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Minha História, de Michelle Obama (eBook Kindle)

Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle Obama convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo. Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu — em suas próprias palavras e em seus próprios termos. Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, de uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo (Release/Amazon):

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No fim das contas, eu gostava de piano. Sentar-me diante dele me parecia uma coisa natural, como algo que eu estava destinada a fazer. Minha família era repleta de músicos e amantes da música, principalmente do lado da minha mãe. Um tio meu tocava em uma banda profissional. Várias das minhas tias cantavam no coro da igreja. Eu tinha Robbie, que além do coro e das aulas dirigia a Operetta Workshop, um programa precário de teatro musical para crianças que Craig e eu frequentávamos todo sábado de manhã no porão da igreja dela. Porém, o centro musical da família era meu avô Shields, o carpinteiro, irmão caçula de Robbie. Era um homem despreocupado, dono de uma barriga redonda, uma risada contagiante e uma barba grisalha e desgrenhada. Quando eu era mais nova, ele morava no West Side de Chicago, e Craig e eu nos referíamos a ele como WestSide. Mas ele se mudou para o nosso bairro no ano em que comecei a fazer aulas de piano, e o rebatizamos de Southside.

Southside havia se separado da minha avó décadas antes, quando minha mãe era adolescente. Morava com a minha tia Carolyn, irmã mais velha da minha mãe, e meu tio Steve, irmão caçula dele, a dois quarteirões de nós, em uma casa térrea aconchegante que ele havia preparado para a música de cima a baixo, instalando alto-falantes em todos os cômodos, inclusive no banheiro. Na sala de jantar, fez um móvel complexo para comportar seu equipamento de som, em grande parte montado com peças compradas em vendas de garagem. Tinha duas picapes descombinadas e um toca-fitas de carretel antigo e bambo, além de prateleiras entupidas de discos que havia colecionado ao longo de muitos anos.

(…)

A música parecia ser um antídoto para suas preocupações, uma forma de relaxar e afastá-las. Quando recebia por seu trabalho de carpinteiro, às vezes Southside esbanjava e comprava um álbum novo. Vivia dando festas para a família, forçando todo mundo a falar alto para se fazer ouvir, pois a música sempre dominava o ambiente. Comemoramos a maioria dos principais momentos de nossas vidas na casa de Southside, o que significa que ao longo dos anos desembrulhamos presentes de Natal ao som de Ella Fitzgerald e assopramos velas de aniversário ao som de Coltrane. Segundo minha mãe, quando era mais novo, Southside fazia questão de incutir jazz nos sete filhos, volta e meia acordando todo mundo ao amanhecer quando colocava um de seus discos no volume máximo.

Seu amor à música era contagiante. Depois que Southside se mudou para o nosso bairro, eu passava tardes inteiras na casa dele, puxando álbuns das prateleiras ao acaso e colocando-os no toca-discos, cada um deles uma aventura imersiva. Embora fosse pequena, ele não impunha restrições ao que eu podia ouvir. Southside foi quem me deu meu primeiro disco, Talking Book, de Stevie Wonder, que eu deixava na casa dele, em uma prateleira especial que havia separado para meus discos prediletos. Quando eu estava com fome, ele fazia milkshake ou fritava um frango inteiro enquanto escutávamos Aretha, Miles ou Billie. Para mim, Southside era grandioso com o céu. E o céu, da forma que eu o imaginava, tinha que ser um lugar cheio de jazz.

(…)

Fonte: Trecho extraído de amostra de leitura (Loja Kindle/Amazon)

Imagem de destaque: Penguin Random House

1 Comentário

  • Fred Posted 14 de maio de 2019 13:48

    É bom nessa época atual saber de histórias que nos ajudam a refletir. Já li o livro. Mas sempre é bom lê-lo de outras formas.

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