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“Meu sonho era viver dignamente de música”, entrevista com o guitarrista Marcelo Barbosa

Marcelo Barbosa é guitarrista do Angra e do ALMAh. É também idealizador do GTR Instituto de Música. Temos a honra de contribuir para a disseminação de conteúdos em que a trajetória do artista é valorizada. Conheça um pouco desta importante caminhada e saiba por quais razões as reflexões que ele aqui propõe, ao ter um cuidado imenso e detalhista nas respostas, pode ser para você bastante inspirador.

Inspirando Sonhos: Compartilhe conosco um pouco de sua trajetória artística, se for o caso, pode remontar as raízes de sua infância, intercalando com sua caminhada musical.

Comecei por volta dos treze anos de idade, na época, Brasília era um cenário muito vivo no rock nacional. Bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Capital Inicial, era isso que a gente ouvia. Brasília era e ainda é uma cidade bem jovem, mas na época era mais jovem ainda, então, acho que a falta de opção de lazer era muito comum. A união dessas duas coisas, a falta de opções de lazer com o rock explodindo no Brasil inteiro fez com que nessa época fosse muito comum as pessoas terem uma banda. E para mim não foi diferente, alguns amigos resolveram montar uma banda, mesmo sem saber tocar, mesmo sem ter instrumento, meio que na brincadeira a gente decidiu quem ia tocar o quê. Acabei me tornando o guitarrista dessa banda. Todo mundo entrou em aula para aprender a tocar, comprar instrumento e começamos uma brincadeira. Hoje é interessante porque me mantive na carreira profissional e o baterista, Saulo Vasconcelos, se tornou um grande cantor de teatro musical, já fez espetáculos como A Bela e a Fera, Os Miseráveis e outros grandes musicais não só no Brasil, como em outros países. No começo foi um pouco difícil porque fui o primeiro músico da minha família, uma família de funcionários públicos, minha mãe queria que eu prestasse concurso, que seguisse uma carreira que me desse a famosa segurança e não era o que eu queria. Acabei comprando uma briga com a família, justamente por isso comecei a dar aula muito cedo e a empreender também. Com vinte e dois anos de idade aluguei o meu primeiro imóvel, que era uma salinha só para começar o que hoje virou o GTR Instituto de Música, com mais de 800 alunos matriculados, combinando essa parte didática, que eu gosto muito de ensinar música, com a minha carreira artística, tocando em banda, gravando CDs. Então, hoje e sempre ataco nessas duas frentes, como músico e artista, e como empreendedor com relação às escolas de música e como professor online. No começo, além do não apoio da família, não foi muito fácil, porque eu venho de uma família não muito pobre, mas com poucos recursos, então, toda essa parte de equipamento, os investimentos que precisam ser feitos, de estúdio, ensaio, gravação, foi bem trabalhoso para conseguir dinheiro. Não querendo ressaltar aqui nenhuma jornada do herói, mas querendo estimular outras pessoas que estão nessa mesma situação, seja em qual área for. Aos poucos, quando comecei a ter alguns alunos e a tocar em alguns shows pagos, todo o dinheiro que entrava era para investir no meu estudo, pagar professores e cursos, no meu equipamento que precisava para exercer um trabalho profissional no nível que gostaria de trabalhar. Claro que o equipamento, principalmente, para a música faz muita diferença porque envolve timbre, afinação, uma série de fatores que, no final das contas, é um grande diferencial. Hoje, acabei de lançar o primeiro disco com o Angra, a maior banda de heavy metal do Brasil, que sou o guitarrista há três anos e no ano que vem vamos lançar o DVD, que já está filmado e foi gravado em São Paulo, no Tom Brasil. Temos viajado o mundo, esse ano foram 106 shows em 10 meses, fizemos shows na Europa, Estados Unidos, México, América Latina, Japão, China, Indonésia, rodamos o mundo com esse show e graças a Deus estou colhendo os merecidos frutos de tantos anos de dedicação.

Inspirando Sonhos: Quais músicos você admira?

Têm diversos músicos que admiro, um deles que considero bem especial é o Steve Vai, um guitarrista norte-americano, tanto pelo que ele toca quanto por suas composições, visões de mundo, ideias, sempre li as colunas que ele escrevia durante a minha adolescência, um cara realmente inspirador pela sua forma de ver a música e o mundo, inclusive tive a oportunidade de organizar um workshop com ele aqui em Brasília, tocamos juntos, foi uma grande realização para mim. Greg Howe, um guitarrista também norte-americano, que tem um jeito muito único de tocar guitarra, ele é mais lado B, as pessoas não o conhecem tanto, até porque é uma onda mais fusion, mas ele tem uma carreira linda, inclusive já tocou com o Michael Jackson. Voltando a história do investimento, ele foi um dos caras que me fez viajar para o exterior na época, pois não existia isso de fazer aula pela internet. Fui duas vezes aos Estados Unidos, uma vez para Nova Iorque e outra vez para Los Angeles para fazer aulas com ele e acabamos nos tornando amigos também. Bom, poderia ficar a tarde inteira aqui citando músicos que admiro. Mozart Mello é um guitarrista brasileiro, que tem uma carreira bastante sólida como professor, ele não tem uma carreira artística muito solidificada, mas é um cara que me inspira muito porque foi através dele que tive a certeza de que era possível viver bem de música, dando aula, então, nessa parte didática, ele foi uma inspiração para mim, um cara com muitos alunos, sempre pesquisando, com material novo, isso é realmente algo incrível. Então, vou me ater a esses três, são vários músicos, inclusive de outros instrumentos que curto demais, mas esses têm um significado muito especial na minha vida.

Inspirando Sonhos: Como foi sua entrada no Angra e como tem sido a experiência nas turnês pelo mundo?

Aconteceu há três anos e a minha entrada mesmo foi efetivada durante o Rock in Rio de 2015, foi tanto o último show do Kiko Loureiro, guitarrista que esteve na banda desde o início, quanto o meu primeiro show. Eu tocava numa banda, chamada ALMAh e ainda toco, mas está meio parada, tive a oportunidade de tocar com o Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra, e com o Felipe Andreoli, atual baixista do Angra. Então, já conhecia os caras e com essa coisa de escola de música, tinha organizado workshops com o Kiko e com o Rafael Bittencourt, guitarrista e fundador da banda, sempre tive uma certa proximidade. Quando o Kiko precisou deixar a banda para ingressar no Megadeth, eles começaram a pensar em quem seria a melhor opção para assumir esse cargo e eu fui uma das pessoas consultadas. Obviamente demonstrei interesse e fiquei à disposição, fui agraciado com a escolha, tem sido uma aventura incrível, já rodei o mundo algumas vezes com eles, só para a Europa já fomos três vezes, muitos shows, a agenda desse ano tem sido uma loucura, fora programas de tevê, gravações de videoclipe, entrevistas, todas as coisas que estar em uma banda desse porte incluem. Mas, para mim, tem sido bem legal, tenho aprendido muito, tanto como pessoa e como profissional. No ano que vem terá o lançamento do DVD e começaremos a preparar a gravação do próximo CD que deve acontecer em 2020, provavelmente.

Inspirando Sonhos: Você consegue atualmente conciliar as suas atividades entre Angra e ALMAh?

Esse ano foi impossível, tive poucos finais de semana livres e, por outro lado, o vocalista do ALMAh, o Edu, também esteve muito ocupado, fazendo o trabalho solo dele, então, digamos que atualmente o ALMAh está posto para dormir, esperando uma oportunidade que tanto eu quanto o Edu estejamos disponíveis para gravar algo novo e fazer shows divulgando esse trabalho, porque é uma banda pela qual tenho um carinho muito grande, adoro todos os membros da banda, são meus amigos pessoais, a banda é excepcional, adoro as músicas, enfim, tenho um carinho muito especial pelo ALMAh e espero que estejamos juntos aí, produzindo e realizando novas aventuras.

Créditos: Divulgação ALMAh

Inspirando Sonhos: Quais sonhos você tinha logo no início de seu engajamento na música e que já foram alcançados? E quais busca alcançar?

Boa pergunta, porque no começo, bem no começo mesmo, sempre fui e sou uma pessoa muito pé no chão, às vezes até mais do que deveria. Então, meu sonho era viver dignamente de música, não estou falando de ser rico, dirigir um carrão, nem nada disso. Eu pensava, se eu conseguir manter minha vida e minha família tocando guitarra serei uma pessoa feliz, era só isso o que queria. À medida que fui alcançando os objetivos que colocava para mim, eles foram sendo ampliados, aquela coisa do ideal como se você estivesse dirigindo um carro no escuro e enxerga até onde o teu farol ilumina, aquilo ali é o ideal, só que quando o carro está andando, ao chegar ali onde o farol iluminar, já está iluminando mais à frente, então, você vê coisas que não veria de onde estava. E é isso o que acontece quando alcançamos os nossos objetivos e continuamos estabelecendo metas mais altas. Bom, eu queria viajar, já foi meu sonho viajar o mundo tocando guitarra, fiz isso algumas vezes; sair na capa de uma revista de guitarra, saí algumas vezes; ter endorsement, ser patrocinado por uma marca legal de guitarra, já fui por algumas e estou agora em uma que realmente sempre foi o meu sonho desde criança porque citei o Steve Vai e vários dos meus ídolos quando eu era adolescente, Joe Satriani, Paul Gilbert, todos usam e já usavam a marca na época. Foi meu sonho ter uma escola de música, hoje tenho duas em Brasília, na Asa Sul e na Asa Norte, e uma em Florianópolis, então, muitos dos meus sonhos foram alcançados, mas isso não faz com que eu não continue sonhando. Agora o objetivo é terminar urgentemente o meu CD solo que está atrasado, pois estava terminando quando entrei no Angra e depois não tive mais brecha. Empresarialmente, inaugurei há um ano o Curso de Musicalização Infantil dentro do GTR e ele está indo muito bem, então, quero em breve separá-lo em uma unidade GTR Kids, pois hoje em dia funciona no mesmo prédio dos adultos, isso não está longe de acontecer. Também escrevo alguns textos para os meus alunos do curso online MB Guitar Academy, penso em lançar um livro com esses textos no ano que vem. Tem muito trabalho a ser realizado e tenho certeza que 2019 será um ano cheio de colheitas de frutos que foram plantados em 2018 e nos anos anteriores.

Inspirando Sonhos: Como tem sido atualmente sua rotina enquanto músico e professor nesse universo da inovação e novas tecnologias? Esses projetos que você geriu utilizando as plataformas digitais têm bastante sinergia com o GTR?

Sim, essa coisa da aula a distância, do curso a distância tem se tornado uma grande febre, é uma tendência não só nacional como mundial. A meu ver, até demorei a entrar, já tinha gente fazendo isso há mais tempo, mas graças a Deus entramos com força total e estamos tendo excelentes resultados, mais de mil alunos, só no grupo exclusivo de alunos, sendo que muitos dos alunos inscritos, por algum motivo, seja por não ter Facebook, ou por não ter interesse, ou por não ter ainda se atentado ao fato de que pode participar do grupo, estão inscritos no curso, mas não estão no grupo de alunos. Na verdade, esse número praticamente dobra quando se fala em número de inscrições, essa coisa da combinação das videoaulas com os PDFs que a gente disponibiliza com o grupo no Facebook, torna essa ferramenta muito poderosa porque a gente tem tanto o conteúdo quanto a interação. A interação pela plataforma do Facebook é muito fácil, você pode enviar vídeo, áudio, foto, texto, tem funcionado bem e tenho conseguido atender muita gente, era comum ouvir pessoas de vários estados do Brasil e até de outros países: – “Ah, eu queria fazer aula com você, mas como é que faz porque não moro em Brasília…”, então, agora isso não é mais desculpa. Temos não só alunos do Brasil inteiro como de países de língua latina, principalmente, como Espanha, Argentina, Uruguai, Chile, México. É muito interessante ver a proporção que o curso alcança através da internet e também presenciar esse crescimento. Ele tem tudo a ver com o GTR no quesito didático, é outro empreendimento, mas as aulas de guitarra que estão disponíveis lá são as mesmas aulas que dou pessoalmente, então, o link é esse, gravo os vídeos como se estivesse dando aula presencialmente no GTR, o material é o mesmo, o conteúdo é o mesmo. Graças a Deus, o feedback tem sido bastante positivo, a galera curte muito o curso.

Créditos: Roadie Metal

Inspirando Sonhos: Quais são os seus parceiros referentes às marcas que te apoiam? Pode compartilhar conosco sobre a importância desses apoios para o desenvolvimento de sua carreira?

Atualmente, os meus principais parceiros são as guitarras Ibanez; cordas Elixir; pedais e acessórios Dunlop; cabos Santo Angelo, uma marca nacional conhecidíssima, com uma história maravilhosa que certamente não deixa nada a desejar, muito pelo contrário, inclusive supera várias marcas internacionais; pedais Mooer e NIG, também tenho uma parceria muito boa com a Edifier, que me fornece todo equipamento de home studio como fones e caixas acústicas. Então, o que acontece é que hoje essa questão do endorsement anda um pouco controversa porque as pessoas tendem a achar, principalmente os músicos que estão começando na carreira, que a marca endorsa o músico e, na verdade, os melhores contratos de endorsement são feitos no sentido oposto, que é o músico com o seu know-how, o seu público e sua experiência, endossando o produto. Quando isso acontece dessa forma, obviamente, você consegue ter uma parceria mais vantajosa para o músico porque a questão de ganhar o material é o de menos, essa parceria pode se estender em vários sentidos, como em exposição, peças publicitárias, feiras de música, no canal de YouTube da própria marca, para uma parceria na qual a marca ajuda nas passagens aéreas quando você vai fazer um workshop, ou quando vai dar um curso, por exemplo, tem uma série de maneiras de que essas parcerias podem ser formatadas e quanto mais visibilidade para a marca você oferecer, mais coisa em troca disso poderá negociar. O que é muito comum hoje é o músico implorar por um patrocínio, como se essa relação se desse ao contrário, a marca endossando o músico, como se fosse assim: – “Ah, eu tenho um contrato de endorsement com tal marca de guitarra e, portanto, isso prova que sou um bom músico”. Esses contratos para acontecerem quando você não tem visibilidade acabam gerando coisas que considero aberrações, como por exemplo, o cara comprando uma guitarra, só ele posta que é endorser da marca, ou seja, algo unilateral como se isso fosse resolver a vida do músico. A gente tem que saber que apesar de ser uma ajuda, uma parceria, não é isso que fomenta uma carreira, não é o fato de ter patrocínios ou não, inclusive há ótimos músicos pelo mundo inteiro que possuem poucos ou não têm patrocínios. Eu sou muito grato a todas as marcas com as quais já trabalhei e com as quais trabalho hoje, elas me ajudam muito em vários sentidos, mas isso aconteceu de forma natural, à medida que fui crescendo como músico, como artista, fui sendo procurado por marcas e tendo ofertas melhores de parceria.

Inspirando Sonhos: Qual é seu livro preferido? Pode discorrer um pouco sobre ele para que mais pessoas conheçam?

Bom, gosto muito de ler e divido basicamente os livros mais de passatempo, que seriam os romances, e livros de desenvolvimento pessoal, que alguns chamam de autoajuda, gosto muito dos dois. O meu livro favorito de romance… Fico sempre dividido entre Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Márquez, e Ensaio Sobre a Cegueira, do José Saramago. Gosto bastante dos dois, o primeiro li ainda muito jovem, acho que dezenove, vinte anos de idade, um livro complexo, difícil de ler, mas como adoro desafios, foi uma aventura, já o li duas vezes, realmente incrível, o mundo que o Gabriel García Márquez cria enquanto escreve é algo envolvente e mágico. Com relação ao desenvolvimento pessoal tenho alguns, mas o meu favorito de todos, que não é um livro de autoajuda, é um livro sobre filosofia, mas quem estuda Filosofia acaba se desenvolvendo como pessoa, não tem jeito, do filósofo argentino José Ingenieros, chamado O Homem Medíocre. O autor critica a mediocridade humana, no sentido mais literal possível da palavra, a questão de você ser mediano, de estar na média, de andar junto com a boiada e pensar como a boiada, das pessoas que não conseguem colocar a cabeça para fora da caixinha e ver o mundo com os seus próprios olhos, pensar com a própria cabeça. Ele é muito duro em suas palavras porque é um cara radical no que pensa, de certa forma, mas ao mesmo tempo isso faz com que o livro seja um “wake up call”, um monte de tapa na sua cara, em que você vai se ver em muitos momentos ali no texto e vai falar: – “Caramba, eu faço isso, ele tem razão, tenho que melhorar nesse ponto”. Então, li esse livro várias vezes, queria ler pelo menos uma vez por ano porque é um livro denso, mas não consigo, a gente acaba pegando outros livros para ler também, mas já o li umas quatro vezes, dei de presente para umas dez, vinte pessoas porque é realmente um privilégio quem tem a oportunidade de ter contato com essa obra e captar pelo menos alguns dos ensinamentos de José Ingenieros, um grande pensador.

Inspirando Sonhos: Qual filme você considera importante indicar? Pode discorrer um pouco sobre ele para que mais pessoas conheçam?

Eu sou cinéfilo também, então é complicado porque tenho muitos filmes favoritos, posso citar alguns, como por exemplo, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças; Vanilla Sky; Billy Elliot; Match Point. Poderia ficar a tarde toda, mas como a entrevista é para o Inspirando Sonhos, acho que o Billy Elliot é um filme mais lado B, principalmente, pelo fato de abordar justamente essa questão do sonho, conta a história de um garoto que nasceu numa vila na Europa, década de 1980, com muitos trabalhadores braçais, pessoas que trabalham em mina de carvão, e ele tem o talento para a dança, seu pai gostaria que ele lutasse boxe, um cara super machista, então, o filme discorre sobre isso, a história de um menino que nasce com um enorme talento para a dança. A professora de ballet percebe isso, ele era péssimo no boxe e excelente na dança, e começa a investir no menino. Não vou fazer um spoiler muito forte do filme, senão perde a graça, mas essa trajetória é bem interessante e inspiradora, esse tema é bastante sensível, o diretor foi extremamente feliz na narrativa, na forma de contar a história, é um filme lindo e tocante, essa coisa da jornada do herói e da busca pelo seu sonho. Então, para quem não conhece Billie Elliot e gosta desse tipo de filme pode assistir que é um filmaço.

Inspirando Sonhos: Que sentidos você atribui à palavra artista?

O artista é necessariamente uma pessoa que precisa conseguir fazer esse movimento de tirar os dois pés do chão, ou seja, entrar em conexão com seja o que for, a inspiração que pode vir de Deus, da natureza, pois cada um tem uma crença, enfim, o artista tem de sair do lugar comum onde a grande maioria das pessoas ocupa e, dessa nova posição, enxergar o mundo através dos olhos artísticos dele, porque virá uma interpretação diferente do óbvio, de conseguir olhar para as coisas rotineiras e corriqueiras, e ver naquilo o que ninguém ou poucos veem. E depois expressar isso através da sua arte, da arte que escolheu: dança, teatro, música, pintura… No meu caso é a música, mas essa expressão artística transcende a forma escolhida, então, o importante para qualquer artista ter em mente é isso, ele precisa ser essa pessoa que faz esse movimento de conseguir ver mais, não em termos de quantidade, mas de qualidade. Você está vendo de uma maneira diferente o que a grande maioria das pessoas enxerga de forma igual. E esse é o papel do artista.

Créditos imagem de destaque: Foto Divulgação/Ibanez

2 Comentários

  • Fernanda Florêncio Posted 1 de dezembro de 2018 04:49

    Uma referência na música e com uma caminhada impecável.

  • Leandro Freitas Posted 6 de dezembro de 2018 18:59

    A escolha do Angra foi perfeita. E o Megadeth só teve a ganhar com a entrada do Kiko. Quem ganha com isso é a cultura mundial. Ótima reportagem. Conteúdo realmente inspirador.

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