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Por Laura Gallucci

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“Preciso aumentar minha carteira de clientes, topei dar aulas na Uni X. Não é bem a minha área, mas eles já têm o programa pronto, com bibliografia e tudo. Vou dar uma olhada hoje no livro texto e começo amanhã”.

“Tia, faz só um mês que estou nessa firma e já descobri que ser advogada tributarista é muito chato. Vou dar aula”.

“Estou com quase 50 anos, fiz de tudo na vida, mas nunca trabalhei na área em que me formei. Acho que vou fazer Mestrado e – quem sabe – Doutorado, virar professora e ganhar um emprego”.

Queridos e queridas – amigos, sobrinhos, colegas de trabalhos e adjacências.

Sou professora há 32 anos – uma opção, no mínimo, estranha para uma pessoa tímida como eu – e me assusta a simplicidade e a superficialidade de suas colocações.

Vou dar aulas porque estou velho para o mercado de trabalho? Vou dar aulas por que não gosto de praticar o que aprendi (me vem à mente o horroroso ditado “quem não sabe fazer, ensina”)?

Se me aventurar nesta seara, me estenderei em discussões filosóficas e viscerais sobre o que é ser professor, sobre o que é indispensável para ser um excelente professor (nunca aceitem menos do que isso!) e não haverá espaço nesta breve carta.

Assim, faço a vocês três perguntas:

– você gosta de gente?

– você gosta de aprender continuamente, de pesquisar, de conhecer novas ideias (mesmo que destruam aquelas que você acalenta há muitos anos) ou o que você sabe “já está bom, já é o suficiente”?

– você é generoso a ponto de compartilhar o que sabe com pessoas que mal conhece?

Se você ficou em dúvida em relação a uma dessas questões, tome uma decisão muito inteligente na sua vida: não seja professor.

Sem permanente curiosidade intelectual, sem disposição para repartir o (pouco) que sabemos, sem o coração e a mente dispostos a, pelo menos, se dar uma chance de conhecer e gostar de novos alunos a cada semestre, sua carreira como professor será sofrida, frustrante e prejudicial – sobretudo para você, os alunos sobrevivem…

Tive o privilégio de ser filha de um verdadeiro professor, um mestre generoso e desprendido que acolhia sob suas amplas asas jovens estudantes de Medicina que vinham para São Paulo em busca de ensino de alta qualidade. Meu pai nunca me disse para ser ou não ser professora, nunca me ensinou a ser professora com palavras. Vê-lo estudar junto com os alunos em nossa casa, vê-lo repartir sua biblioteca (sem falar no almoço da minha mãe) com centenas de alunos ao longo dos anos me deixou com vontade de ser um pouquinho do que ele foi para seus alunos; também ficou claro o que é preciso para ser um excelente professor: conhecimento, generosidade e alma de pesquisador. Foi então que me tornei uma “filha professora”.

E o que fazer para resolver seu dilema profissional? Isso é assunto para outra carta. Venha conversar e, juntos, pensaremos em oportunidades de carreira que possam te fazer feliz.

Essa carta é um trecho do livro “Filhos Professores” de Laura Gallucci.

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