Alimente sua alma. Inspire Sonhos!
Telefone
Gui Sales e seu som futurista

Letras não surgem do nada, elas demoram muito tempo para tomar forma e informar. E quando são poesias musicadas, quanto tempo demora? Aliás, o que é o tempo quando pensamos que ele é flutuante? Chronos… O tempo real não pode ser marcado em um relógio construído nesse mundo pobre de compreensão de outros mundos.

Mesmo com as artes, histórias antigas, universais, egípcias (considerando que o Egito está situado no continente africano), orientais, judaicas, europeias, nas Américas, existentes desde tempos imemoriais. Vemos isso, por exemplo, na Torá, apontando para aspectos fundamentais da criação do mundo, os primeiros passos da humanidade, as raízes do poder e de como o mundo se tornou múltiplo, culturalmente falando.

Vamos deixar de dar voltas. Até porque, nosso entrevistado de hoje não se delonga quando o assunto é remontar, em suas poesias mais que musicadas, geniais, as origens de qualquer plano, superior ou inferior, mesmo quando percebemos que, em seus versos ditos e tocados, ele tem a rara habilidade, invejada por muitos, de descrever sua própria alma, objeto principal de estudo da Psicologia.

Gui Sales, damos espaço para ele sabendo que abrimos as portas não só para um artista de peso, mas para a certa polêmica. Serão muitos os que lerão e descreverão as palavras ditas por aqui, carregadas de imagens, tendo como base só a pobreza de espírito. Humanos, pobres humanos em suas incompletudes e insegurança em não saber o que realmente os compõem como demasiadamente humanos.

Músico, jovem de idade, caminhante em busca da luz em meio às florestas existenciais conturbadas por todas as confusões sociais já existentes quando cada um de nós nascemos e somos entregues a nossa própria sorte. Mas o som dele não é nada simplista. É para quem quer mergulhar, conhecer a complexidade do passado e as incertezas do futuro. Óbvio, o som que ele toca não está no presente, principalmente quando pensamos nas faixas lançadas em novembro de 2014 em seu EP, intitulado “Totem”. O som dele é alicerce filosófico, literário, universal. Futurista ou remontando tempos que nem a história registrada em livros alcança.

Sem mais palavras… Agora é a vez dele.

Inspirando Sonhos: Fale de você… O que é ser artista? Como caiu justamente nesse árduo caminho? Vale falar da infância, de tempos da atualidade e das suas expectativas para o futuro…

Bem, acho que posso descrever o ser artista, melhor, o ser cantautor como alguém que tem a habilidade de eternizar um sentimento dentro de uma música o fazendo parecer atemporal e universal, porque, de fato é – afinal de contas, alguém já passou ou vai passar por algo que você passou, acontece. Mas, para mim, a gente é uma espécie de canalizador das mensagens que o universo deseja transmitir para o povo daqui. É uma forma de abraço, conforto, de alívio. A gente precisa disso para não surtar nesse mundo caótico. Eu passei a escrever exatamente por conta disso. Tinha muita coisa mal resolvida ou dormente dentro de mim que vez ou outra resolvia acordar. Aquela ferida que custa em cicatrizar, sabe? Então, eu precisava exorcizar meus demônios ou ao menos encará-los, lidar melhor com a existência deles. Também passei momentos muito difíceis em minha vida, onde eu precisava desafogar do que estava sentindo sem ter que pular precipício abaixo. De modo geral, a música acaba sendo para mim um modo de reorganizar as ideias, arejar a cabeça. Eu sinto muito. Eu sinto tudo demais. Então, na intensidade que vivo preciso descarregar. Assim, escrevo. E, bem, se eu continuar escrevendo sobre vida daqui uns dez anos, abraçando as pessoas por meio disso, ao invés de escrever sob encomenda algo que não sinto, já me sentirei maravilhoso.

Inspirando Sonhos: É um erro dizer que em suas letras você faz menções aos alicerces do judaísmo e de outros antigos ritos religiosos? Se nossa desconfiança fizer sentido, pode nos dizer se existe alguma espiritualidade que seja realmente libertária?

Gostei da pesca de referência, amigo! “Piscine Molitor”, “Totem” e “Ninho” são provas disso, haha. Dá para dizer que faço menções a elementos religiosos, sim. Nesse caso ao filho do Judaísmo, o Cristianismo e ao Xamanismo. O cristianismo, porque esteve presente em minha vida em suas diversas formas, tanto com sua face opressora e fundamentalista quanto a face mais aberta ao diálogo e ao outro. Sendo a primeira o que por mais tempo eu vivi, a segunda eu experimento agora e de forma bem descompromissada. Enfim, são minha história, não tem como apagar. Já o Xamanismo me apareceu quando passei a me interessar pela história da minha família, mais especificamente, lado do meu pai. Meu bisavô foi curandeiro, parteiro, entre outras coisas. Eu queria muito tê-lo conhecido. De verdade. Eu gosto de minhas raízes. Aí resolvi ir atrás disso. Me sinto ligado, guiado de algum modo por forças que lá atrás fizeram parte da vida dos que me antecederam. Isso é muito forte para mim. Isso tudo acontecendo enquanto eu estava numa busca por uma cristandade destoante daquilo que a gente vê na TV e em grande parte das igrejas, inclusive pelas quais eu passei.  Dei de cara com os pilares da religião – o Judaísmo, como você mesmo mencionou – e isso me fez ter uma visão mais ampla das coisas. Quebrar na cabeça as velhas crenças é muito difícil, principalmente quando tu já viveu muitos anos debaixo disso, mas é profundamente libertador. E realmente acredito que a espiritualidade está muito ligada a isso de ter liberdade de buscar vários caminhos. Espiritualidade, ao contrário do que alguns pensam e/ou são levados a pensar, não tem a ver com ter ou não uma religião ou credo. Afinal, existem pessoas religiosas – cabe aqui quaisquer religiões – que tem boa espiritualidade e pessoas sem religião que também tem boa espiritualidade. Pessoalmente, acredito numa espiritualidade libertária. E para mim ela pode se resumir em: empatia. A gente precisa se encontrar no outro para protegê-lo e para encontrar a gente mesmo de volta.

Inspirando Sonhos: Referências musicais e literárias… Quais são as suas?

Como referências musicais eu tenho Rodrigo Amarante, que para mim é um gênio enquanto letrista. Conheço desde Los, mas o disco Cavalo é que me fez perceber a magnitude do cara. Foda! Matt Corby, um cara que conheci recentemente por causa do meu produtor Stéfanos Pinkuss. O cara tem uma conexão absurda com a música. Voz e instrumentos incríveis e invejáveis. Eu não consigo parar de ouvir. Um dia quero chegar bem próximo disso. Lucas Silveira, vocalista da Fresno, banda que conheci pelo disco Revanche. Desde então venho acompanhando o trabalho dele e o cara evoluiu musicalmente de uma maneira absurda, ele realmente se superou e isso para mim é muito inspirador. Um puta exemplo! E esse cara, em especial, eu admiro não somente pela trajetória na música, mas o modo como ele se rasga ao escrever. É profundamente visceral. Me sinto acolhido de algum modo quando ouço. Um exemplo para mim.

Inspirando Sonhos: Tem circulado o Brasil mostrando seu trabalho ou está mais no Paraná? Quais são seus sonhos relacionados a isso… Em quais países deseja mostrar seu som? Diga como as pessoas podem contratar seu show. Hora do merchandising (considere aqui a divulgação de seus canais nas redes sociais e como as pessoas podem baixar ou ouvir seu EP e outras músicas que você interpreta).

Por enquanto, tenho rodado apenas por Curitiba. Mas tem gente de vários estados do Brasil que me ouvem. Tem gente em São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí, Ceará, só me falta convite para tocar, haha. E estou aqui esperando, por sinal. Quanto ao exterior, tenho muito interesse em visitar o continente Europeu e circular também, mais adiante, por outros lugares. Participar de festivais, quem sabe? Só sei que quero ir e vou onde quer que haja gente interessada em boa música e em um compartilhar de sentimentos através das canções. Para que isso tudo seja possível, eu deixo aqui os links onde as pessoas podem conhecer meu som, que é através do Soundcloud, Youtube e pra entrar em contato comigo diretamente é através da minha Fanpage.

Inspirando Sonhos: Como conseguiu técnicas vocais tão avançadas? Quais são seus mentores?

Bem, eu comecei a cantar na igreja. Participei de algumas aulas de técnica vocal durante uns seis meses, mas só depois de uns dois anos mesmo é que realmente comecei a cantar, digo, sério. Eu era alguém bem tímido. Isso me atrapalhava bastante. Nessa parte quem me ajudou foi Telma Cristiane Borges, quem ministrava as aulas. Mais para frente quem me deu aquela força, quando passei pelo curso de Música da PUC/PR, foi a então Profª da faculdade Cris Lemos (Tao do Trio). Durante uma de suas aulas, eu pude mostrar “Com quem se quer casar” e “Totem” que ainda nem haviam sido gravadas e ela me ajudou a jogar melhor a voz, pronúncia, dicção. Em suma, não tenho aulas por tempo integral. É mais cantar e cantar e cantar, a gente acaba percebendo nossa voz e como e até onde a gente pode trabalhar melhor. Foi assim que eu me criei. Sem muito segredo, na verdade.

Inspirando Sonhos: Além da música, está envolvido com outras linguagens artísticas?

Quando era criança eu costumava desenhar. Isso foi até os meus doze anos, aproximadamente. Mas acabei largando um pouco. Sou copista. Às vezes consigo rabiscar algo melhor, mas não sou tão bom quanto gostaria. Sinto falta disso.

Inspirando Sonhos: O que é a vida?

É sobre encontrar sentido. Seja ela uma vida ou um aperfeiçoar constante em várias e várias outras, ela acaba sempre tendo a ver com isso. A gente precisa fazer com que nossa existência não se resuma a somente passar pela vida. A gente precisa ser atravessado pela vida. Uns se encontram na fé, outros no amor, outros em nenhuma dessas coisas, outros até não chegam a se encontrar. Varia muito de pessoa. Para mim, a vida faz sentido quando estou junto ao que faz meu coração bater mais rápido. Isso resolve a minha equação do ser.

Inspirando Sonhos: Existe algo que deixamos de mencionar e que você deseja abordar?

Acho que nada, meu amigo. Gostaria apenas de agradecer pela entrevista. Que baita entrevista!

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