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“Escrevo por melodias”, entrevista com Fabiana Cozza

(…)

meu pavilhão

são todas as vozes

as quais vocês jamais saberão

(Trecho do poema “Estandarte”, Álbum Duplo, Fabiana Cozza, p. 55)

Fabiana Cozza compartilhou com a equipe Inspirando Sonhos sua trajetória poética, musical e de vida.

Inspirando Sonhos: Quais apoios você teve para trilhar uma carreira tão sólida?

Sempre decidi cada passo da carreira: o quê, como, onde, por que fazer tal escolha e abdicar de outras. Depois de farejar o que realmente queria, fui contando com amigos de fora e de dentro da Música para dar voz aos meus projetos. Nunca tive apoios institucionais efetivos. Participei de poucos editais em 20 anos e perdi quase todos. Então, nunca dependi ou esperei nada externo. Contei com a minha dedicação, o talento que foi sendo aprimorado, uma vocação para o ofício de cantora e muitos amigos. De 10 anos pra cá tenho uma super parceira, que é a minha produtora, Nenê.

Inspirando Sonhos: Quais sonhos você tinha no começo da carreira e hoje já foram realizados? Quais ainda não foram realizados?

Tinha o sonho de viver de música, me sustentar com o que eu canto. E isso eu conquistei. Os próximos sonhos estão sendo sonhados.

Inspirando Sonhos: Oswaldo dos Santos e Maria Ines Cozza dos Santos. Como você vê o debate sobre relações inter-raciais a partir da sua história e de seus pais?

O debate extravasa a fronteira genética e a minha casa. O racismo é sistêmico e deve ser encarado de maneira muito cuidadosa e responsável pela sociedade brasileira. Entender que a “categoria” negro no Brasil foi uma conquista de parte do movimento negro, é indispensável para entendermos quem compõe esse grupo – pardos e pretos. Essa conquista política é indispensável para o prosseguimento da luta anti-racista e a efetivação e garantia dos direitos e reparações ao povo negro.

Inspirando Sonhos: Que sentidos tem a palavra artista para você?

É um estado que me garante respirar em meio a um mundo tão pouco poético.

Inspirando Sonhos: Pode nos contar de quais formas a sua musicalidade se mistura com sua militância?

Um importante diretor de teatro chamado Roy Hart dizia que “a pessoa é aquilo que consegue cantar”. Se pensarmos que nossos corpos têm dimensão política, social, psicanalítica, filosófica pr’além da dimensão anatômica e fisiológica, somos aquilo que cantamos.

Inspirando Sonhos: “Álbum Duplo”. Suas poesias ecoam vozes latinas, indígenas, cubanas, brasileiras, sobretudo, africanas, assim como o seu cantar. Como essas vozes ecoam para você?

A poesia é meu refúgio em muitas situações de “perigo”, de medo. As palavras num poema me soam como vozes que não precisam falar um mesmo idioma. Talvez seja a influência da Música. Escrevo por melodias.

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Inspirando Sonhos: Que autoras e autores contribuíram para a escrita dos seus poemas?

Adoro Adélia Prado, Cecília Meireles, Ana Martins Marques, Paulo César Pinheiro, Federico García Lorca, Julio Cortázar, Bartolomeu Campos de Queirós, Manoel de Barros… São muitos… O cotidiano também fala alto quando escrevo.

Inspirando Sonhos: Cidinha da Silva te inspira em quais aspectos?

Aprendo sobre poéticas negras com a Cidinha e suas vozes assertivas, potentes.

Inspirando Sonhos: Pode nos falar de suas memórias escolares? Seu tempo na escola…

Tive uma infância preenchida por minha irmã e primos. Viajávamos muito para o interior de SP, na casa dos tios-avós da família de minha mãe. Estudei em escola pública até a 8ª série e tenho a lembrança de ser muito inventiva e comunicativa. Adorava ler e brincar. Fiz muito esporte e convivi sempre num ambiente familiar simples e muito amável.

Inspirando Sonhos: Como foi interpretar Elizeth Cardoso acompanhada de Luizinho 7 Cordas? Conte-nos um pouco sobre como se deu o encontro com um dos maiores violonistas de samba e choro.

Luizinho é meu pai musical, me abraçou logo no início de carreira, um músico excepcional que ama a música e é uma referência para muitos. Ter uma oportunidade dessas logo no início é pra agradecer de joelhos.

Inspirando Sonhos: Como está sendo a experiência no mestrado em Fonoaudiologia? Você vislumbra ser professora universitária?

Estou amando voltar à PUC-SP, onde fiz graduação. Tenho excelentes professores no mestrado e uma relação muito enriquecedora com minha orientadora, Profa. Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva. O tema da minha dissertação me estimula, já que está conectado à minha pesquisa enquanto intérprete. Não descarto a possibilidade de lecionar em alguma universidade futuramente.

Inspirando Sonhos: Acredita que a sua trajetória contribui em algum aspecto para a formação de cantoras e intérpretes?

Tenho sido procurada por jovens cantoras e estudantes de música e sido tema de trabalhos em universidades. Isso me dá a dimensão de uma trajetória bem construída, íntegra e responsável que desperta o interesse de novos talentos.

Imagem de Destaque: Kriz Knack

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