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Distance Over Time, entrevista com a banda Dream Theater

Por Dream Theater Brasil – YtseBR

A entrevista com os integrantes do Dream Theater foi concedida ao fã-clube Dream Theater Brasil – YtseBR.

Primeiramente gostaríamos de agradecer por tirarem um tempo para responder as perguntas feitas por fãs brasileiros.

John Petrucci (Créditos: BraveWords)

YtseBR: Em uma entrevista recente você disse que a banda tinha tantas ideias que poderiam escrever 5 álbuns. Vocês usam algumas dessas ideias para futuros álbuns?

John Petrucci: Nós com certeza usaremos. Constantemente juntamos ideias enquanto estamos na turnê como banda, ou individualmente em casa. É sempre bom ter um ponto de partida quando entramos no estúdio, mesmo se isso for usado apenas como uma faísca para novas inspirações.

YtseBR: Como você separa o Petrucci músico do Petrucci produtor?

John Petrucci: Meu lado músico é focado na minha maneira de tocar guitarra, meu timbre e equipamento, e claro, na composição das letras. Como produtor, gosto de voltar um pouco e manter nossos objetivos na minha cabeça. Meu papel é ter certeza de que nós possamos alcançar o que planejamos e pensar na melhor maneira para fazer isso. Na verdade, a música The Bigger Picture é sobre minha perspectiva nesse assunto.

YtseBR: Como você consegue surgir com algo diferente sempre, como explora tantas escalas e tempos diferentes? De onde vem toda essa inspiração?

John Petrucci: Ha! Bem, parte disso é que eu sou um felizardo por estar em uma banda com alguns dos melhores músicos do planeta. Acho que somos uma fonte de inspiração constante uns para os outros. Também é importante nos desafiar constantemente como artistas e como músicos. Ser complacente não é permitido!

YtseBR: Seu estilo de tocar mudou com o passar dos anos? Sentimos que se tornou mais pesado. É algo natural ou algo intencional?

John Petrucci: Eu acho que estão certos em notar isso. Tenho me inclinado para um som mais protagonista e pesado/agressivo que é importante pra mim. Eu tenho trabalhado muito na minha técnica através dos anos em estúdio e em turnê, então, consigo testar coisas diferentes para deixá-la mais fresca e tentar sempre melhorar. Mas manter um forte senso de melodia é uma das coisas que permaneceram como uma grande parte do meu som e estilo, e é crucial em todos os aspectos da minha musicalidade.

YtseBR: Que feedback vocês estão recebendo dos fãs sobre o álbum Distance Over Time e qual a reação que vocês esperavam?

John Petrucci: Desde que o álbum foi lançado, nossos fãs têm recebido muito bem, diferente de qualquer outro álbum da banda. Isso tem sido tão recompensador e incrível para todos nós! Tocar essas músicas ao vivo agora e ver a reação da plateia é maravilhoso também. Muitos sorrisos, batidas de cabeça (head banging), todos cantando juntos e braços no ar! Nós não poderíamos estar mais felizes com essa reação. Muito obrigado e estamos ansiosos para encontrar todos vocês no Brasil novamente.

Jordan Rudess (Créditos: Drowned in Sound)

YtseBR: Parece que você tem usado mais “Hammonds” nesse novo álbum, o que nos remete muito ao Deep Purple. Como Jon Lord te influenciou?

Jordan Rudess: O primeiro contato com o progressivo que eu tive foi com Deep Purple. A maneira de tocar do Jon Lord teve muito efeito em mim. Embora meu foco tenha sido mais em piano e sintetizadores, ultimamente tenho me aprofundado no Hammond. Quando eu penso em sons muito legais de órgão, estou no meio de Keith Emerson e Jon Lord. No meio deles com certeza existe muita inspiração.

YtseBR: Você esteve no Brasil recentemente com sua turnê solo. Essa interação com os fãs ao redor do mundo e com diferentes culturas e musicalidades influencia no processo de composição de novas músicas?

Jordan Rudess: Com certeza. Minhas viagens são uma grande parte da minha vida. A música que escuto, as pessoas que encontro, a energia no ar, é tudo parte do que absorvo e depois traduzo para minhas próprias músicas. Sou um grande fã de todo tipo de música e sempre muito aberto para experimentar novos sons e novos lugares.

YtseBR: Os fãs ficaram muito divididos sobre o The Astonishing. Quando vocês começaram o processo criativo do Distance Over Time, vocês tiveram a intenção de agradar aos fãs mais antigos ou não pensaram nisso e simplesmente deixaram a música fluir?

Jordan Rudess: Quando nós criamos The Astonishing quisemos criar algo distante do que geralmente criamos. Estamos bem cientes da reação, honestamente, tudo que aconteceu ao redor do The Astonishing não foi uma surpresa. Mesmo assim, nós sempre estivemos muito orgulhosos daquele álbum. Em Distance Over Time, realmente quisemos trazer a energia da banda e criar um som raiz que todos os fãs de Dream Theater iriam amar. A ideia era ter todo mundo engajado e simplesmente se divertir no estúdio escrevendo ótimas músicas. É maravilhoso que esse novo álbum tenha sido tão bem recebido ao redor do mundo.

YtseBR: Vocês se mudaram para o estúdio para escrever esse novo álbum, o que faziam nas horas vagas?

Jordan Rudess: Nós apenas nos divertíamos, exibíamos nossas habilidades na cozinha, íamos para a academia, relaxávamos e basicamente aproveitávamos a presença uns dos outros.

YtseBR: Quais das músicas novas você está gostando mais de tocar ao vivo?

Jordan Rudess: Acho que minha música favorita de tocar ao vivo é Pale Blue Dot. É uma jornada musical maravilhosa que tem tantas seções legais e é muito divertida, pois vai de algo muito orquestral para algo selvagem e louco! Muito obrigado e estamos ansiosos para encontrar vocês no Brasil e obrigado por manterem a paixão pela banda viva.

James LaBrie (Créditos: Prog Sphere)

YtseBR: Como foi o processo de composição das linhas vocais? E de qual delas você tem mais orgulho?

James LaBrie: As linhas vocais foram criadas da mesma maneira que estamos fazendo por vários álbuns. John Petrucci, Jordan e eu nos reunimos e jogamos melodias vocais uns nos outros até sentirmos que temos a melhor versão pra cada música. Quando entro no estúdio e começo a gravar o vocal, pode haver algumas pequenas mudanças nas melodias, pois percebemos que algumas coisas podem ser mais amigáveis para se cantar com uma pequena alteração, mas nunca nada muito drástico ou algo que se torne completamente diferente.

YtseBR: O que você estava esperando dessa tour, já que vocês estão tocando um dos álbuns favoritos dos fãs, Scenes From a Memory? Vocês passarão pelo Brasil novamente?

James LaBrie: Bem, nós acabamos de terminar a turnê norte-americana e se isso indicar como será o resto da turnê, eu diria que ela vai ser fantástica. Todos os shows estão lotados e esgotados, e os fãs estão amando cada momento. Sem falar que as músicas do nosso novo trabalho Distance Over Time estão sendo tocadas toda noite e os fãs estão adorando e querendo mais músicas desse álbum no setlist. Não poderia ser melhor. Quando formos para a América do Sul, com certeza, continuaremos tocando o Scenes From a Memory na íntegra.

YtseBR: Como foi a experiência de se apresentar com a banda Noturnall aqui no Brasil?

James LaBrie: Trabalhar com o Noturnall foi fantástico. Eles são uns caras ótimos, nós nos divertimos muito e nos demos muito bem. Estou muito contente de ter feito aqueles shows com eles, foi demais.

YtseBR: Suas letras falam sobre vários assuntos. Sacrificed Sons sobre 11 de setembro, Prophets of War sobre influência política na guerra e assim por diante. De onde vem sua inspiração? Você chega ao estúdio com a letra antes da melodia pronta ou a melodia influencia no seu processo de criação?

James LaBrie: Sobre minhas letras, tiro inspiração de várias fontes, mas principalmente de livros que eu li, de redes sociais e experiências do dia a dia. Minhas letras geralmente são escritas quando a melodia vocal está consolidada. Escrevo muitas ideias e blocos de palavras que tento revisitar sempre e checar se elas são ideais para a música que estou prestes a começar a letra.

YtseBR: Morar juntos por dois meses durante o processo de composição e gravação deve ter gerado muitas histórias engraçadas e interessantes. Alguma história que possa ser compartilhada com os fãs?

James LaBrie: Eu consigo lembrar de uma em particular. Teve um dia já bem tarde, nós tínhamos acabado no estúdio e estávamos indo para nossa casa, que por acaso ficava na mesma propriedade do estúdio, mas era uns 100 metros distante e estava totalmente escuro. Nosso braço direito e que cuida da gente, Maddi Schieferstein, e nosso engenheiro de gravação, James Meslin (Jimmy T), abriram a porta e tinha um urso gigante e seu filhote mexendo no lixo do estúdio. Maddy e Jimmy T assustaram os ursos e nos levaram de carro até a casa para garantir nossa segurança. A mamãe urso continuava voltando, então, eles continuavam buzinando e dirigindo em direção a ela para espantar ela e seu filhote para a mata. Foi muito engraçado. Nós da banda queríamos agradecer ao fã-clube brasileiro e estamos ansiosos para tocar no Brasil e em outros países da América do Sul. Acreditem em mim, esperar vai valer a pena. Vejo vocês na estrada. Rawrrrrrrrr!!!

John Myung (Créditos: baixistas.com)

YtseBR: Notamos nesse álbum o baixo mais presente, mais “na nossa cara”. Isso veio naturalmente ou foi algo planejado?

John Myung: Um pouco dos dois. Eu penso muito sobre isso e sei que foi acontecendo naturalmente, somado a isso tínhamos um time fantástico de engenheiros de som basicamente colocando meu baixo em ótimos consoles de pré-amplificadores criados por Rupert Neve. Também usei amplificadores Ashdown novamente da mesma maneira que usei no Train Of Thought.

YtseBR: Esse álbum teve a intenção de ser mais parecido com os trabalhos antigos da banda. Você revisitou algumas músicas antigas pra ter mais inspiração pra compor esse álbum?

John Myung: Eu acho que a gente tinha em mente mais as bandas que nos inspiraram e que nos fizeram começar a tocar, como Iron Maiden, Rush, Yes, Sabbath e Marillion.

YtseBR: Como o fato de morarem juntos por dois meses mudou o processo de composição do álbum.

John Myung: Foi tudo mais relaxado e tranquilo. Estar no campo em um celeiro é o melhor ambiente para se escrever música.

YtseBR: De onde vem sua inspiração para escrever música?

John Myung: Eu tento focar em um grupo de pensamentos e palavras que ficam na minha mente e tento entender porque eles estão lá. É um pouco como um trabalho de detetive. Então, tento achar o sentido de tudo e como colocar isso em uma música.

YtseBR: Alguma música favorita do Distance Over Time?

John Myung: Eu amo o álbum todo. Ele tem um lado muito sério e ao mesmo tempo é divertido e com uma vibe bem rock and roll. Muito obrigado e estou ansioso para encontrar vocês no Brasil!!!

Mike Mangini (Créditos: pearleurope.com)

YtseBR: O processo de composição desse álbum foi diferente dos outros nos quais você participou. O que mudou para você? O que teve de diferente?

Mike Mangini: Pra mim o que mudou foi que o John, como produtor, me permitiu estar mais envolvido como nunca estive antes. Contribuí com a direção, arranjos e como compositor, compondo também para outros instrumentos além da bateria.

YtseBR: Foi a primeira vez que você trouxe letras para a banda também. Como aconteceu e sobre o que fala a música Room 137?

Mike Mangini: Room 137 é sobre a morte do físico Wolfgang Pauli. Nós escrevemos o riff e ele tinha 137 BPM, então, esse número me lembrou da história. Ele era obcecado com o número 1÷137. Pauli foi para o hospital e ficou no quarto 137. Ele sabia que ia morrer ali e de fato morreu. Sempre imaginei se ele via o número daquele quarto como um sinal de que os homens não conseguem perceber certas dimensões passadas para assim se reconciliarem com Deus, por terem usado adivinhações para compreender isso tudo mais profundamente, ou se ele morreu ainda obcecado por solucionar isso. Eu mandei vários e-mails para o John Petrucci sobre o número para ele ter ideias para a letra, mas eu sinto que o sobrecarreguei. Então, decidi que eu deveria escrever a letra porque já escrevi algumas, só que não para o Dream Theater. Então por que não tentar?

YtseBR: Alguma música do catálogo da banda que você ainda não tocou e gostaria de tocar?

Mike Mangini: Eu gostaria de tocar Surrender to Reason em algum momento no futuro.

YtseBR: Fãs podem ser cruéis às vezes. Como você lida com as críticas vindas de alguns fãs, especialmente quando você começou na banda?

Mike Mangini: Essa aceitação inicial ou críticas são tão insignificantes agora, então, não tem nada para lidar com isso mais. Nós estamos com 98% dos shows lotados e Distance Over Time está em primeiro lugar nas paradas em vários países e o merchandise em cada show está sendo insuficiente. Esse sucesso atual é espetacular, então, não importa de maneira nenhuma o que essas almas por aí pensavam no começo, incluindo eu mesmo. Dois bateristas nunca soam da mesma maneira, e as pessoas estavam acostumadas com o som e a coprodução do Mike Portnoy. Nos últimos álbuns, John sofreu muita pressão como produtor solo e acho que ele evoluiu muito, o que resultou no Distance Over Time. Eu estava envolvido nesse álbum com a sonorização e a manipulação de frequências junto com Jimmy T, nosso engenheiro no estúdio. Mas nós entregamos nossas mixagens para Ben Grosse, que mixou com seus gostos e experiência. John fez um trabalho perfeito na produção desse álbum. Quem se importa com o que alguém disse dez anos atrás, sejam coisas boas ou ruins. Nós vivemos o momento. Estamos multiplicando fãs na mesma velocidade que estamos produzindo a cerveja Barstool Warrior. Muito obrigado e estamos muito ansiosos para encontrar vocês no Brasil novamente!!!

Imagem de destaque: @dreamtheaternet 

Dream Theater – Distance Over Time

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