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Por Dabliu

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Vivi um dia um grande conflito entre colher as flores ou deixá-las no jardim. Flores colhidas não são flores vivas? Será que não? Pois no jarro de água elas ainda falam comigo.

As flores gostam de atenção, como se sua existência de beleza se realizasse ao serem admiradas. E quando enfeitam casas, elas assumem corpo de alguém da família. Da terra em que vivem, as flores têm consciência da sua vida passageira e se alegram quando podem ir além, vivendo outras paixões.

Certo dia uma flor me contou um segredo. Disse que entre as flores existe uma competição em que vitoriosas são aquelas flores colhidas por um gesto de amor. Elas querem estar em outros lugares e dividir sua beleza em lugares que o jardim não consegue chegar.

As flores, mais do que os homens, entendem que murchar é parte de um processo divino, e que o esplendor da vida de uma flor é murchar na condição de estar motivando o coração de alguém a encontrar beleza no mundo.

Flores são seres humildes. Elas sabem da beleza que possuem e não querem ser mais do que isso. Flores são seres fortes. Uma pétala tem a delicadeza de uma lágrima, mas podem conquistar com um só traço de sorriso. Flores são generosas. Elas não querem ser jardim. Se contentam com a glória de ser flor, de existir por pouco, e nessa mínima existência, existir muito. Flores são felizes e esperam ser colhidas.

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Para que serve a poesia? E as palavras que escorregam no meu canto? Como rodas vão marcando o asfalto liso, contornando um só caminho com seus pés.

Para que serve a poesia? Para acordar os que adormecem sob o manto da rotina, para quebrar e ser quebrada, estilhaços de beleza.

Para que serve a poesia? E as palavras mal compreendidas? E os verbos não inventados borboletando na vida? Eu não movo a poesia, mas é ela que me move, me mastiga e me engole, ruminando meus anseios.

Corre solta pela casa, e descansa como um morcego, vendo o mundo de cabeça para baixo, sendo grande no desprezo e no silêncio. Ela não mata sua sede bebendo da fonte, ela é a própria fonte, que transgride sem erguer o tom, desafia sem olhar nos olhos, mas te olha mesmo que esteja de olhos fechados.

A poesia não nasceu, ela é. Como o vazio do universo toma conta de tudo, transmuta-se em palavras não verbais, em arrepios, lágrimas e sorrisos de Monalisa.

Ela não corre, mas também nunca é alcançada. Se deixa mostrar por um segundo e some, mas está sempre presente em todos os lugares. Mas, então, para que ela serve, se não manda e não desmanda?

Serve para fazer sentido.

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