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Priscila

Ela consegue utilizar o corpo como ato político ou de politização. Multidões de crianças, adolescentes e adultos acreditam nela quando, ao ensinar uma coreografia, consegue desencadear processos criativos não só fazendo o corpo falar, mas, mostrando, que eles podem usar todos os recursos da linguagem para garantia de direitos humanos universais.

O nome dela é Priscila Magalhães, produtora cultural e arte educadora, não se contenta em compartilhar conhecimento dentro dos modos convencionais de ensino. Carrega consigo uma visão integral – ou para muitos, holística – de ser humano. Nas periferias ou nas regiões centrais de São Paulo, se tiver a oportunidade de presenciar sua atuação em espetáculos para grandes públicos ou no que podemos chamar de sala de aula, verá a mesma Priscila, sem máscaras ou hipocrisias. Ensinando com carinho e cuidado, com um sorriso cativante, arrancando das pessoas alegrias e lágrimas, sanando dúvidas, preenchendo lacunas existenciais no que diz respeito às crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal, quando, de uma hora para outra, sua oficina de dança se transforma em uma roda de conversa com fortes elementos da famosa Terapia Comunitária.

Isso sem contar as suas produções audiovisuais e espetáculos artísticos por todo Brasil, envolvendo-se com cultura em larga escala. Quer saber mais? Ela vai dizer.

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Inspirando Sonhos: Como foi seu ingresso na educação e o que te motiva a permanecer nesse universo até hoje? Como a dança entrou nisso tudo?

Priscila Magalhães: Não sei muito bem quando exatamente decidi que seria educadora. Sempre gostei muito de um professor que me deu aulas de arte. O professor e artista plástico Jackson Matos, hoje em dia meu amigo pessoal, me cativou e acabou auxiliando para que fosse nessa direção. Como sempre admirei o jeito dele de ministrar as aulas, acho que esse foi o primeiro a me incentivar trilhar esse caminho. Quando aceitei meu primeiro trabalho como arte educadora, para desenvolver atividades no CEU Três Lagos com as linguagens do teatro e circo, estava atuando em um espetáculo como intérprete e pesquisadora das danças brasileiras e o teatro popular, na Cia de Expressões Populares Trivolim, onde conheci o diretor Claudio Ferreira, que é educador, artista plástico, músico, coreógrafo, etc, etc, etc… Ele, junto ao historiador e mestre Eliezer Teixeira, me influenciaram diretamente a atuar como arte educadora. Isso aconteceu 15 anos atrás. Na escola tradicional onde ministro aulas de artes tive muita influência de uma amiga, “madrinha”, que admiro muito, a educadora Márcia Magalhães.

Cia da Vila de Dança

Cia da Vila de Dança

Inspirando Sonhos: Explique o amor em quatro atos? Como surgiu a ideia e como esse amor mobilizou tanta gente? Mas não se restrinja a essa ação, pode falar de outros projetos que você toca. Explique a complexidade de seu trabalho…

Priscila Magalhães: Como Diretora e Produtora Cultural fundei em 2007 a Cia da Vila de Dança e em 2009 o Festival de Culturas Urbanas Batalha na Vila. Os dois são projetos de vida. Acredito e tenho muito orgulho de conseguir caminhar, seguir com eles e por vezes alcançar os objetivos.

A Batalha na Vila, após aprovação na lei Rouanet, está em fase de captação de recursos. Muita coisa boa por vir!

Na Cia da Vila temos 5 espetáculos no currículo do grupo. Nos espetáculos utilizamos as linguagens das danças urbanas e contemporânea, videodança, além de projeção de cenário virtual.

Já trabalhamos com coreógrafos como Juliana Kis, Tati Sanchis, Fernanda Fiuza, Hugo Campos, Lurian Cortez e Ariana Macedo.

Atualmente o espetáculo de trabalho é o “Amor em 4 Atos” onde faço direção geral e a coreografia é desenvolvida por Juliana Kis. Sempre quis falar de amor, de alguma forma. Na pós graduação onde estudei Arte Integrativa, tive uma matéria denominada análise psicanalítica para o entendimento da experiência artística e outra denominada psicologia da arte, isso possibilitou um olhar mais atento para algumas questões abordadas na pós. Nesse período criamos o espetáculo SELF, baseado no filme Sonhos de Akira Kurosawa. O curso também serviu de inspiração para os estudos referentes ao tema amor. Assim decidimos fazer a montagem do espetáculo e produção de um videodança de mesmo nome, inspirado no conto de Balzac, um amor no deserto. É lindo o processo de troca que o grupo estabeleceu. Mesmo no Núcleo Experimental da Cia da Vila a energia é sempre a mesma. Tenho muito orgulho do elenco que temos, pessoas lindas, comprometidas, talentosas, estou muito feliz com isso. Muito feliz também em trabalhar com a nossa coreógrafa Juliana Kis, ela é incrível, sensível, excelente profissional. No Núcleo Experimental da Cia da Vila estamos em fase de montagem de espetáculo “Colcha de Retalhos-outras histórias”.

Inspirando Sonhos: Como educadora que tem forte inserção no universo artístico, qual foi a experiência mais marcante que você teve até hoje? 

Priscila Magalhães: Nossa! Pergunta difícil! Acho que não me recordo de nenhuma muito específica, me lembro de várias como a troca de informações nas aulas independente de idade. Tinha momentos nas atividades do Lazer Comunitário, proposta da ONG Vocação, que me encontrava em momentos mágicos, da avó dançando com o neto, da mãe que parava para amamentar um filho e depois seguia dançando na atividade com a filha. Participantes das oficinas seguindo na área artística sempre aconteceu. Isso me dá muito orgulho! Se tornarem profissionais da arte mesmo que nas oficinas culturais esse não seja o objetivo. Muita coisas emocionantes ao longo desses 15 anos, me sinto grata por ter escolhido essa área.

Inspirando Sonhos: Quais são seus mentores, suas referências nessa sua trajetória?

Priscila Magalhães: Tenho muitos, difícil elencar aqui! Medo de esquecer alguém. Rsrsrs

Minha família sempre me apoiou muito, fui a primeira da quebrada, da família a concluir faculdade com bolsa integral em época que nem existia ProUni. Claro que precisei de muito apoio da minha família, com certeza os melhores mentores da vida!!!

Mas um mentor, mesmo que por pouco tempo, meu maior mentor, amigo, irmão, parceiro, que me apresentou e fez com que tomasse gosto pela arte foi meu irmão Marcelo F. Magalhães.

Inspirando Sonhos: O que você gosta de ler ou escutar diariamente?

Priscila Magalhães: De ler gosto muito de autores de literatura periférica, marginal. Gosto de pesquisar, ler sobre os assuntos que estamos abordando nos espetáculos da Cia da Vila. Ultimamente tenho que ler muita coisa voltada aos conteúdos do currículo escolar, quero mais tempo pra ler o que eu quiser! Rsrsrs

Gosto de vários estilos de música, depende do momento. Gosto de mpb, rock antigo, música pop de rádio, house, gosto de rap, jazz… Ah, ultimamente estou adorando tudo do Liniker e do Kendrick Lamar. Hehe

Inspirando Sonhos: O que pensa sobre o atual cenário político do Brasil e como isso impacta em suas ações como produtora cultural?

Priscila Magalhães: É absolutamente assustador! Não tenho outra palavra que possa descrever o que está acontecendo como GOLPE!

E o pior de tudo isso foi a forma seleta dos manifestantes de camisa de grife amarela de protestar, agora enquanto ministros corruptos estão subindo ao poder não ouvimos panelas. Silêncio absoluto. Os caras já assumiram o golpe no deslize do Jucá e a gente ainda vai viver nessa armação? Puro House of Cards! Não podemos nos calar! Artistas, alunos, educadores, geral que não concorda com isso, NÃO podemos nos calar! E, além disso, tem muita coisa rolando paralela né. Muito a [TEMER] com Bolsonaros, Cunhas, Aécios e tantos outros que continuam lá. Retrocesso… Triste retrocesso.

Inspirando Sonhos: O que é a vida? Quais são suas utopias? O que você acha que inspira nas pessoas? 

Priscila Magalhães: A vida é passagem.

Utopia… Não sei. Igualdade talvez. Novas eleições? Rs

Ser bom na terra, nada de ficar vivendo pra depois, esperando um paraíso, uma absolvição. Fazer nossa parte, mesmo que não tenhamos certeza qual seja de fato. Falta muito pra chegar lá, mas sigo em busca!

Inspirando Sonhos: O que nos esquecemos de perguntar, mas mesmo assim deseja abordar?

Não não, acho que falei bastante coisa. Rsrsrs

1 Comentário

  • Débora Posted 25 de maio de 2016 17:22

    Magnífica educadora!
    Não me admira ter dito tanto com tão poucas palavras.
    Essa menina tem um futuro enorme pela frente.

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