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Este autor nos deixou um rico legado, com sua clareza e profundidade na compreensão do que o corpo pode expressar e da interação dinâmica do corpo com nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Por Odila Weigand.

Essas palavras citadas da autobiografia de Alexander Lowen expressam a maneira apaixonada pela qual o médico e psicoterapeuta de Nova York procurou compreender e ensinar a respeito daquilo que ele acredita ser o caminho real para a saúde, o prazer e o bem-estar: um corpo cheio de vida, vibrante, capaz de expressar emoções e sentimentos e também de relacionar-se amorosamente, dedicar-se a causas significativas, trabalhar e produzir criativamente.

Atualmente parece que o esforço de Lowen está se tornando realidade, no momento em que a tecnologia de ponta oferece uma janela para que se observe o cérebro vivo e em funcionamento.

O cérebro humano em sua complexidade e plasticidade habita um corpo que ele comanda, mas do qual depende para seu bom funcionamento. Lowen sempre pesquisou e ensinou como conseguir um corpo conectado com a cabeça, ou seja, como se sentir integrado, inteiro e bem dentro da própria pele.

Para isso desenvolveu, inicialmente com o psiquiatra John Pierrakos e mais tarde com outros colaboradores, uma série de posturas e exercícios corporais associados a expressões de emoções e sentimentos.

É sabido e aceito que emoções não plenamente sentidas e não expressas passam por um processo de negação.

Esse conteúdo se torna isolado e deixa de ser percebido pela consciência, embora a carga energética, ou libido, ainda precise encontrar seu destino.

Tal destino costuma ser o sistema de couraças, ou seja, contrações em diferentes sistemas do organismo, que com o passar do tempo se cronificam e passam a ser percebidas como a própria identidade ou maneira de ser.

Assim, temos pessoas cronicamente distraídas, que na verdade se ausentam com frequência da realidade presente e do contato humano, pessoas de pavio curto, que não sabem ou não conseguem se apropriar e direcionar positivamente sua agressividade, outras para as quais se cunhou o termo amar demais, incapazes de se sustentar no mundo sobre as próprias pernas e lidar com frustrações, desapontamentos e situações de abandono a que a vida inevitavelmente nos submete.

Antes mesmo de se preocupar com uma análise do caráter, ou seja, do sistema de resistências do cliente que procura terapia, o terapeuta prioriza a observação de áreas congeladas ou dissociadas no corpo.

Bioenergética é Psicanálise?

Algumas pessoas tendem a ver a Análise Bioenergética como uma decorrência da Psicanálise.

Seria regida pelos princípios psicanalíticos básicos, ou seja, incluiria a resistência por parte do paciente às interpretações do analista; a transferência, na qual o paciente projeta no terapeuta os sentimentos que, na realidade, teve por seus pais e a contra-transferência, sentimentos despertados no terapeuta pelo contato com o cliente.

De acordo com Lowen, esses são preceitos psicológicos válidos, que ele vivenciou pessoalmente na terapia com Reich.

“O cérebro humano em sua complexidade e plasticidade habita um corpo que ele comanda, mas do qual depende para seu bom funcionamento”

Mas na análise energética reichiana tais reações são vistas como parte da estrutura de caráter do paciente, uma realidade tanto física quanto psicológica. Assim, tais atitudes estão associadas a tensões musculares crônicas do corpo do paciente – e também derivam delas. Nem seus sentimentos nem seu comportamento mudarão enquanto as tensões não forem significativamente resolvidas e liberadas.

A teoria política de Wilhelm Reich (que morreu na prisão, nos Estados Unidos, em 1957) já foi vista por alguns segmentos da sociedade como uma forma de terapia alternativa e associada à ideia de rebelião contra os valores vigentes. Esta percepção foi alterada a partir da década de 1990, quando os conhecimentos sobre o funcionamento emocional do corpo, da mente e da vida espiritual passaram a ser objeto de pesquisa científica.

A terapia deve ter continuidade também fora da sessão, pois o cliente deve continuar refletindo sobre o processo e realizar os exercícios propostos pelo terapeuta.

Nenhum corpo é totalmente livre de tensões. A liberação de energia no corpo pelo movimento, a recuperação da graciosidade e a sensação de estar vivo e vibrante não significam liberdade total. Libertar-se de condicionamentos antigos, motivados por perdas dolorosas, traumas, humilhações, etc. tem por objetivo a construção de novos modos de existir, de pensar e de estar no mundo.

O princípio central para o criador da Análise Bioenergética é tornar o corpo vivo – que para ele significa vibrante – e devolver-lhe a graça natural. Para isso é necessário desmanchar os congelamentos, áreas do corpo literalmente frias, pálidas, sem movimento ou sem expressão, em que o sangue e a energia circulam pouco ou muito lentamente.

Antes mesmo de se preocupar com uma análise do caráter, ou seja, do sistema de resistências do cliente que procura terapia, o terapeuta prioriza a observação de áreas congeladas ou dissociadas no corpo.

Técnicas de respiração, movimentos específicos e toques são utilizados enquanto conversa com o cliente. O objetivo é torná-lo consciente dessas áreas de seu corpo e do seu significado emocional ligado à sua história de vida.

O corpo pode revelar indícios que dão pistas para o terapeuta pesquisar, junto com o cliente, quais conteúdos inconscientes estão causando os distúrbios da personalidade. Como liberdade implica em responsabilidade, o sucesso da terapia depende do envolvimento do cliente, dentro e fora das sessões, realizando exercícios e tarefas indicados pelo terapeuta.

Lowen recomendava meia hora de exercícios por dia, prática que ele mesmo realizava com prazer enquanto sua saúde permitiu.

Os pés e os olhos são as duas extremidades de contato com o mundo e conectam realidade interna e externa. Enquanto os olhos trazem a percepção do mundo externo, pés e pernas bem enraizados são importantes para organizar essas percepções e devolvê-las ao cérebro com informações sobre equilíbrio, organização espacial, segurança, confiança, viabilidade.

Em muitas pessoas a falta de vida sensível nas pernas e pés é compensada por um exagerado desenvolvimento do ego. O ego busca segurança em conquistas que encubram sua insegurança aos olhos dos outros, mas a sensação interna de não ser bom o suficiente perdura.

Em busca do grounding

A pessoa sofisticada pensa com o cérebro, que funciona como um computador. Ela acredita que sua identidade está em suas ideias. A pessoa enraizada pensa com o corpo todo, seus sentimentos e sensações participam fortemente de todos os pensamentos, escolhas e ações.

A dissociação entre os sentimentos e o corpo, por sua vez, conduz, por exemplo, à indiferença diante de sinais visíveis de miséria ou da destruição do meio ambiente. Segundo Alexander Lowen, seres desenraizados vivenciam como opostos alguns valores essenciais, valores estes que coexistem na personalidade na qual ego e self funcionam integrados.

Amor e sexualidade

Reich disse que ninguém trapaceia a natureza. Se somos parte dela, enganá-la equivale a enganar a nós próprios. A busca proposta pela terapia é tornar o indivíduo capaz de ser cada vez mais verdadeiro consigo mesmo. Nesse processo, uma das descobertas é que o ser humano almeja, sobretudo, o amor, não o poder, embora possa usar o poder para alcançar o amor.

Lowen entende que se criou um constrangimento no indivíduo moderno em relação ao sexo.

Desde que o código da moral vitoriana caiu por terra, homens e mulheres podem se entregar livremente aos desejos sexuais. Poder-seia pensar que a vida sexual tenha então se tornado mais prazerosa e gratificante.

Hoje, porém, há mais pendências sexuais do que nunca.

A ausência de limites e códigos morais para o comportamento sexual criou um problema nefasto, pois não há liberdade sem controle, sem limites. Também não há transcendência sem um ego que crie um self. O problema do sexo é que sem amor ele tem pouco sentido. Sem este componente essencial, o sexo proporciona somente algum alívio, mas não realização.

Também a contração crônica, o desenraizamento e as cisões entre pensamento, sentimento e sexualidade dificultam a experiência plena do amor sexual.

“Reich disse que ninguém trapaceia a natureza, pois enganá-la equivale a enganar a nós próprios”

Para Reich, uma das descobertas prováveis em terapia é que o ser humano almeja, sobretudo, o amor, não o poder, embora possa usar o poder para alcançar o amor.

A Análise Bioenergética trabalha com o modelo de fluxo energético num movimento pendular ao longo do corpo. Pelas costas fluem principalmente os sentimentos da agressividade, entendendo-se agressividade como uma força positiva para buscar o que se necessita. Pela frente do corpo fluem a excitação e o desejo de contato, os sentimentos ternos.

No processo terapêutico buscam-se integrar as duas correntes, afetiva e agressiva, pois a agressividade é o componente de força adulta do encontro afetivo-sexual. Um coração aberto para o amor habita um peito capaz de respirar livremente.

Os olhos, assim como os pés, formam as extremidades de contato com o mundo e ajudam a conectar as realidades interna e externa

A relação terapêutica

A partir do ano 2000 a Análise Bioenergética passou a definir-se como uma psicoterapia somato-psico-relacional. Nesse modelo entende-se que cliente e terapeuta constituem uma dupla interativa, mútua, interatuando reciprocamente e os dois evoluem juntos.

Acredita-se que o cliente com uma história de traumas primitivos tem a necessidade de reencontrar o velho mau objeto, assim como o objeto bom; a esperança é que, desta vez, haja um final diferente, que promova o movimento interno de amadurecimento.

Além disso, pressupõe-se que o terapeuta seja empático, como preconizam diversos estudos da Psicologia do apego.

Ao utilizar a contratransferência como recurso terapêutico, o que se requer do terapeuta treinado em Análise Bioenergética é ser capaz de se dar conta de nuances de seu próprio mundo subjetivo, além das nuances de postura, atividade muscular, alinhamento, expressões faciais e padrões de respiração do seu cliente. Afinal, a interação de duas subjetividades é o que constrói o ambiente da psicoterapia.

Alexander Lowen trabalhou intensivamente com pessoas por mais de 50 anos. Acumulou vasta experiência e conhecimentos que compartilhou em seus 13 livros; publicava-os à medida que iam acontecendo suas descobertas.

Sua morte é ainda recente. Aconteceu em 28 de outubro de 2008. Nascido em 23 de dezembro de 1910, ele se foi aos 97 anos. Com um misto de tristeza, afeto e gratidão, honramos este homem que viveu sua própria vida como um testemunho daquilo em que acreditava.

Freud e Reich

Wilhelm Reich (foto) tem sido considerado o grande herege entre os discípulos de Freud. Mas será que realmente existe uma distância tão grande entre a Psicanálise e a economia sexual? Serão tão contraditórios os princípios que regem a prática psicanalítica e a vegetoterapia caráctero-analítica? A obra Continuidade ou Ruptura? (Editora Summus) recorre a documentos históricos de difícil acesso que ajudam a identificar as efetivas diferenças e semelhanças teóricas e práticas das duas ciências e entre mestre e discípulo.

Odila Weigand é psicóloga, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, trainer internacional do International Institute for Bioenergetic Analysis, do Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo e do Ligare, em Americana (SP). É autora do livro Grounding e Autonomia (Person) e de diversos artigos publicados.

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