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Créditos: Erick Reis

Créditos: Erick Reis

Autoral e autêntico, Dabliu. Com mais de dez anos de carreira musical, em suas letras e melodias, cadenciadas, ele nos convida a um mergulho completo no eu. Falamos do eu em uma visão completamente expansiva, encontrada quando sabemos mais das peripécias do universo, interno e externo.

Um convite, algo que pode ou não ser aceito. Mas fica impossível não aceitar, porque ele nos faz com muita gentileza, genialidade, dessas que podemos sentir só ao conhecer mais a cultura brasileira influenciando o planeta. Temos uma história e um legado inegável deixado por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Elis Regina, Djavan e muitos outros. Nosso músico entrevistado de hoje está seguindo os passos dos grandes mestres de nossa música, dando sua roupagem inovadora aos seus trabalhos artísticos.

Assumiu-se como cidadão do mundo, na medida em que nos apresenta uma musicalidade universal, sem perder sua evidente brasilidade, nos leva a olhar para infinitos estilos musicais. Suas trabalhadas melodias, emocionantes, e letras, mais que conceituais, nos deixam boquiabertos, principalmente em seu álbum mais recente, Ilha Desconhecida.

Quando sentimos as mensagens que ele passa, em todos seus discos solos (ao todo, dois e mais um EP), podemos perceber seu som como forte ferramenta literária. Sua música é livro, desses que lemos inúmeras vezes na vida, daqueles de cabeceira que quando alguém muito querido pede emprestado, preferimos comprar um novo e presentear.

Cantor, compositor, poeta, contista e romancista, um artista completo. Dabliu está entre nós para desvendar um mundo com outras marcas, não apenas as bonitas. Caminhando contra o vento, em busca de outro mundo possível. Óbvio é que ele nos inspira. Convidamos quem nos lê para esse intenso mergulho existencial.

Inspirando Sonhos: Quais foram as principais etapas de sua trajetória? Remonte suas raízes da infância.

Dabliu: Primeiramente (#foratemer), quero agradecer as belas palavras de apresentação. É com carinho que recebo e dou tudo de mim nas coisas que eu faço. Fui uma criança inquieta, espontânea e curiosa. Filho único até os cinco anos, cresci entre invenções e experimentos que a minha criatividade e raízes simples puderam me dar.

Hoje sou uma criança ainda, mas um tanto diferente. Em algum momento aquela espontaneidade e curiosidade enfrentaram a barreira da repressão. Repressão de todos os tipos e considero que toda criança sofre. Tenho observado que cada uma reage de modo diferente. Eu reagi me voltando para dentro. Então, de uma maneira geral, cresci uma criança solitária, quieta e melancólica, e ao mesmo tempo, quando estava envolvido no meu mundo, aquele inventado, eu era muito feliz.

A pior fase foi a descoberta de que esse mundo poderia ser insustentável, o que me deu uma adolescência um tanto perdido comigo mesmo. Por outro lado, a segunda descoberta, já um pouco mais velho, de que eu poderia viver nesse mundo inventado, mesmo não sendo mais criança em idade cronológica, é o que me faz ser muito feliz hoje.

Inspirando Sonhos: Mais de uma década em sua caminhada musical. Recebeu elogios de nomes consagrados da música, resenhas em veículos muito importantes de comunicação. Como foi viver tudo isso sendo tão jovem?

Dabliu: Lendo assim, ou quando alguém, por alguma eventualidade, resume as coisas que eu fiz, até parece bastante. Mas não, aqui de dentro, isso tudo é percebido muito diferente. Estou sempre de olho no próximo passo, um medo quase que inconsciente de perder tempo na vida. Não penso muito sobre feitos ou ser jovem e ter vivido tanto, pelo contrário, já me acho um velho de 28 anos (risos).

Do meu ponto de vista, ainda tenho muito trabalho pela frente se quero que minha música chegue cada vez mais para um maior número de pessoas. Em geral, sou muito feliz com o estado das coisas e com o que eu estou construindo, por perceber a dimensão do meu trabalho e descobrir que tem muito mais gente como eu no mundo. É um amparo saber que não estou completamente só. Ver gente, mesmo depois de quatro anos, conhecendo meu álbum Sobre os Ombros de Gigantes, depois de ter gostado do meu segundo disco, é incrível! E esse é só o início do caminho.

Inspirando Sonhos: Ilha Desconhecida, seu álbum mais recente. Como foi a concepção? Podemos esperar para ainda esse ano o Dabliu na estrada com esse disco, no Brasil e no mundo?

Dabliu: Tenho uma relação muito forte de descoberta de mim mesmo com as coisas que escrevo. Por esse motivo, às vezes é um esforço gigantesco criar, porque é quase uma loucura: você opta e se realiza fazendo aquilo que mexe com todas as suas dores e isso te deixa arrasado.

O Ilha Desconhecida veio e foi lançado em um momento em que eu me perguntava qual era a minha verdadeira razão de tocar. O disco fala de tantos machucados que era (e ainda é) muito difícil ouvi-lo e não chorar. Lancei o álbum e não tive qualquer intenção de fazer shows, mesmo em tudo o que esse trabalho toca. Foi quando resolvi morar em Londres e me abstive quase todo o tempo da composição. Fizemos um evento de lançamento e uma audição especial em Curitiba, porque eu prezo muito a relação que o fã tem com o meu trabalho. E por prezar essa relação é que só me envolveria com voltar aos palcos e à coisa toda se pudesse entregar 100% de mim nisso.

Nesse período fora, escrevi muito. Foi uma das fases em que eu mais escrevi, senão a que eu mais o fiz efetivamente. E longe de tudo, numa ilha do outro lado do Atlântico, me esquivando da música, ela ia se impondo dentro de mim. Quando via, já estava pensando em banda, show, disco novo, tudo muito forte e realmente interno. Ainda assim, acho que fui até o limite do afastamento. Nesse momento percebi que isso tudo era intenso e tive um vislumbre da resposta para: “Por que eu faço isso?”. Daí em diante, foi uma renovação estética total do meu trabalho. Ainda assim, eu me reconheço dentro dos meus dois álbuns, e essa é uma das coisas boas de se fazer algo com tanta sinceridade. Eu poderia não saber, conscientemente, daquelas escolhas, mas elas estavam lá por um motivo. 

O tipo de música que eu faço hoje é um caminho, cada vez mais perto, de atingir a essência do meu ser na transmissão e relação com o outro. O que eu faço é o fruto do que eu escrevo em relação com o que você sente quando ouve. As imagens evocadas, os sentimentos ali pulsando… Vai além da canção, da palavra e do som, é uma junção de todos esses elementos para atingir aquilo que eu preciso atingir, seja isso bonito ou feio, brasileiro, folk, etc. Vai além do mérito ruim ou bom. Não sou tecnicamente um músico ou cantor. Sou mesmo um artista muito intuitivo e cada música é uma nova descoberta. Vou atrás do som e esmiúço acordes e sonoridades em busca daquilo que quero. Sou um artista em busca de algo que nem sei, mas sei bem em qual direção eu devo seguir. No fim, a insígnia que eu carrego há tanto tempo, dizer que faço música com o coração, é até hoje a definição mais acertada, se é que exista alguma definição.

Inspirando Sonhos: Dabliu e Gui Sales, como surgiu essa amizade e parceria? 

Dabliu: Toda a minha relação com o Gui é baseada em total amor. Disso reflete nossa amizade e parceria. Foi um encontro da vida que parecia ao acaso, mas quando olhamos um para o outro sabemos que somos de ontem, de alguma maneira, seja lá no que acreditemos internamente. Descobrimos coisas juntos e sentimos que unidos temos uma força indescritível. A partir disso é que gravamos juntos e ele participou de vários shows meus. Realizamos um show juntos, o projeto Sofá na Lua, fizemos canções um para o outro. Mas o amor e a amizade estão acima de tudo isso e são muito maiores que a música. 

Como artista, o Gui é alguém que eu admiro tanto e que está acima de quaisquer níveis, poderia fazer tudo que quisesse sozinho e com maestria. Quando falo da minha música, sei do valor da intuição na busca de um som, de uma voz, da palavra, mas o Gui é mais que um artista completo, é um artista excepcional, que canta, toca, escreve e tudo muito e excepcionalmente bem. Não tem comparação, é um artista em um milhão no planeta que nascem como ele. E um amigo em 7 bilhões.

Inspirando Sonhos: Queremos saber mais de seu lado escritor. Conte-nos livremente.

Confira essa e outras respostas na Parte 2 da entrevista com Dabliu. Aguarde.

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